O debate sobre o uso das chamadas “canetas emagrecedoras” voltou a ganhar força no Congresso Nacional. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) se posicionou favoravelmente à incorporação, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dos medicamentos semaglutida e tirzepatida, utilizados no tratamento da obesidade. O tema ganhou destaque após a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) rejeitar, em agosto, a adoção dos fármacos na rede pública. A justificativa foi o alto custo dos tratamentos, que, segundo o órgão, inviabilizaria a distribuição em larga escala. A decisão, no entanto, dividiu opiniões. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já incluiu os dois medicamentos em sua lista de remédios essenciais. Além disso, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2264/2024, de autoria do deputado Damião Feliciano (União-PB), que determina a obrigatoriedade da oferta dos fármacos pelo SUS. A proposta deve ampliar o debate sobre a relação entre custo, acesso e a urgência de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da obesidade, considerada um problema de saúde crescente no Brasil.
Setembro marca uma data importante na conscientização sobre a saúde mental no Brasil: os 11 anos do Setembro Amarelo, movimento nacional voltado à valorização da vida e à prevenção do suicídio. Em 2025, o Centro de Valorização da Vida (CVV) dá continuidade à campanha com o tema “Conversar pode mudar vidas”, destacando a importância do diálogo como instrumento de acolhimento. O objetivo da iniciativa é incentivar a população a falar abertamente sobre sentimentos e a oferecer uma escuta atenta a quem enfrenta dificuldades emocionais. A voluntária Eliane Soares ressalta que pequenos gestos de empatia podem fazer toda a diferença. O CVV oferece apoio emocional gratuito em todo o país pelo número 188, disponível 24 horas, e também pelo site www.cvv.org.br. Todos os atendimentos são realizados por voluntários capacitados, garantindo sigilo e respeito à individualidade de cada pessoa. Desde 2015, o Setembro Amarelo mobiliza instituições públicas e privadas, organizações da sociedade civil e cidadãos em prol da prevenção ao suicídio, reforçando a ideia de que o cuidado e a escuta podem salvar vidas.
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado discutiu, nesta semana, o Projeto de Lei 2158/2023, que trata da liberação da venda de medicamentos em supermercados. O relator da proposta, senador Humberto Costa (PT-PE), apresentou alterações com o objetivo de reforçar a segurança sanitária no processo de comercialização. Entre as modificações, está a proibição da exposição dos remédios em gôndolas de autosserviço, exigindo que a entrega seja feita em balcão próprio. Além disso, o texto determina que o estabelecimento conte com farmacêutico em tempo integral para orientar os consumidores. A proposta original é de autoria do senador Efraim Filho (União-PB). Caso receba aprovação da Comissão de Assuntos Sociais, o projeto seguirá para análise na Câmara dos Deputados. O debate sobre a medida divide opiniões: enquanto defensores afirmam que a iniciativa amplia o acesso da população a medicamentos básicos, críticos apontam riscos à saúde se o controle não for rígidamente aplicado.
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) deve analisar, na próxima reunião, o Projeto de Lei 126/2025, que estabelece um marco regulatório para vacinas e tratamentos oncológicos no Brasil. A proposta é de autoria da senadora Dra. Eudócia (PL-AL) e conta com parecer favorável do senador Flávio Arns (PSB-PR). O texto prevê que vacinas contra o câncer e medicamentos utilizados no tratamento da doença sejam disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, cria um fundo nacional destinado a financiar pesquisas científicas e tecnológicas voltadas ao desenvolvimento de terapias inovadoras na área da oncologia. Se aprovado na CAS, o projeto seguirá para as demais etapas de tramitação no Congresso. A expectativa é que a medida fortaleça tanto o acesso da população a tratamentos de ponta quanto o incentivo à produção científica no país.
A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou nesta semana o PL 2847/2022, que busca incentivar ações de prevenção ao sofrimento psíquico de adolescentes e jovens. O projeto propõe capacitar profissionais de saúde, fomentar redes de apoio entre os próprios jovens e aprimorar a coleta de dados sobre suicídio e automutilação. Segundo a relatora, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), a falta de informações confiáveis dificulta a criação de políticas públicas efetivas para a saúde mental da juventude. Com a aprovação, o texto agora segue para análise da Comissão de Assuntos Sociais, onde receberá pareceres adicionais antes de avançar no processo legislativo.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou na sexta-feira (05) a proibição da fabricação, comercialização, importação e uso de 32 suplementos alimentares da empresa Ervas Brasillis Produtos Naturais Ltda. A medida, publicada no Diário Oficial da União, também determina a apreensão de todos os lotes que ainda estejam em circulação. A decisão da Anvisa foi tomada após uma inspeção constatar que os produtos eram produzidos em um local sem licença sanitária, em condições insalubres e sem obedecer às boas práticas de fabricação de alimentos. Além disso, a agência proibiu qualquer tipo de propaganda ou distribuição dos suplementos. Segundo o Decreto-Lei 986/1969, fábricas que manipulam ou transportam alimentos precisam ter autorização prévia da vigilância sanitária. A ausência dessa licença torna a produção ilegal, sujeita a interdição e apreensão. Entre os produtos proibidos estão diversas marcas e tipos de suplementos, como creatina, colágeno, cafeína com taurina, maca peruana, ômega 3, magnésio treonato e óleo de girassol ozonizado, incluindo todos os lotes produzidos pela empresa. A Anvisa alerta consumidores a não utilizarem os suplementos listados e a procurarem orientação em caso de dúvida sobre produtos adquiridos no mercado.
O secretário de Saúde de Piatã, Igor Teles, esteve na última sessão da Câmara de Vereadores e falou sobre a implantação do SAMU 192 no município. Segundo ele, os profissionais já foram capacitados e a base descentralizada do serviço passou por vistorias. A expectativa é que o SAMU comece a funcionar já no início de setembro, garantindo mais rapidez e segurança nos atendimentos de urgência e emergência.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) revelou na quarta-feira (27) que, há um mês, recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Ela passou por cirurgia para remoção do tumor no dia 31 de julho e iniciará sessões de radioterapia na próxima semana. Em mensagem publicada nas redes sociais, Damares afirmou que se encontra bem e destacou a importância do diagnóstico precoce. A senadora também lembrou que o Senado aprovou recentemente um projeto de lei que reduz a idade mínima para mamografia na rede pública de saúde de 40 para 30 anos. Damares garantiu que continuará suas atividades parlamentares e reforçou seu compromisso com o trabalho no Distrito Federal. Ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos no governo Bolsonaro, Damares se destacou nacionalmente por suas posições polêmicas, como a afirmação de que “menino veste azul e menina veste rosa” e por atuar nos bastidores em um caso de aborto legal envolvendo uma menina de 10 anos vítima de estupro.
A partir desta terça-feira (26), mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, já podem realizar gratuitamente o teste molecular de DNA-HPV, voltado para a detecção precoce do papilomavírus humano. O exame foi desenvolvido integralmente no Brasil pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), em parceria com a Fiocruz e o Governo do Paraná. Ele é capaz de identificar 14 tipos do vírus antes mesmo do surgimento de lesões ou do avanço para o câncer em estágio inicial. O público-alvo são mulheres entre 25 e 64 anos, que podem ter acesso ao teste durante a consulta ginecológica nas policlínicas especializadas do município. Segundo o Ministério da Saúde, a nova tecnologia substituirá gradualmente o exame Papanicolau, que continuará sendo aplicado apenas em casos de confirmação após resultado positivo no DNA-HPV. Entre os diferenciais, está a maior precisão na leitura do material genético e a periodicidade: se o resultado for negativo, a paciente só precisa refazer o exame após cinco anos, diferente do Papanicolau, que exige acompanhamento mais frequente. Além de reduzir exames desnecessários e intervenções invasivas, o DNA-HPV amplia o alcance do rastreamento, garantindo atendimento de qualidade até mesmo em regiões com menor infraestrutura de saúde.
O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a oferecer um exame inovador voltado à detecção precoce do câncer de colo de útero. A ação faz parte da política “Agora Tem Especialistas” e estará disponível em todas as regiões do país até o final deste ano. A iniciativa visa ampliar o acesso a diagnósticos precoces, facilitando o tratamento e aumentando as chances de cura. Com a implementação do exame, o SUS reforça seu compromisso com a saúde da mulher e a prevenção de doenças graves em todo o território nacional.
Uma mulher de 38 anos morreu em decorrência de um tipo raro de câncer relacionado ao uso de próteses de silicone. O caso, acompanhado pelo Hospital de Amor, em Barretos (SP), foi registrado em artigo publicado na revista Annals of Surgical Oncology e representa o primeiro relato brasileiro de carcinoma espinocelular ligado a implantes mamários (BIA-SCC, na sigla em inglês). Segundo o mastologista Idam de Oliveira Júnior, que acompanhou a paciente e é um dos autores do estudo, desde 1992 foram documentados apenas 17 casos semelhantes no mundo. A mulher havia colocado as próteses aos 20 anos e, cerca de 20 anos depois, começou a perceber alterações na mama esquerda, incluindo inchaço e acúmulo de líquido. Exames de imagem indicaram a necessidade de remoção do implante, mas a biópsia revelou a presença de células malignas na cápsula que envolve a prótese. Quando chegou ao hospital, o tumor já estava avançado, atingindo músculos e ossos do tórax. Apesar da cirurgia e do início da quimioterapia, a doença recidivou rapidamente, espalhando-se para o fígado e outros órgãos. A paciente faleceu oito meses após o diagnóstico.
Lorena Rodríguez, de 34 anos, conviveu por mais de 20 anos com ansiedade e depressão resistente, enfrentando diversos tratamentos sem resultados duradouros. Em abril, ela se tornou a primeira pessoa no mundo a ser submetida a uma cirurgia de estimulação cerebral profunda com quatro eletrodos, realizada em Bogotá pelo neurocirurgião colombiano William Contreras, com o objetivo de tratar seu quadro clínico persistente. Administradora de empresas e mestre em marketing e gestão comercial, Lorena conta que os primeiros sintomas surgiram ainda na adolescência, evoluindo para enxaquecas intensas e dificuldades em tarefas básicas, como levantar da cama. O diagnóstico indicou transtorno misto de ansiedade e depressão resistente a terapias convencionais. Ao longo dos anos, ela experimentou mais de cinco tipos de antidepressivos, ansiolíticos e estabilizadores de humor, além de psicoterapias, meditação, práticas espirituais e mudanças de país, obtendo apenas alívio temporário. O neurocirurgião William Contreras explicou que a técnica de estimulação cerebral profunda (DBS) é indicada justamente para pacientes que não respondem aos tratamentos tradicionais, oferecendo uma nova alternativa para casos de depressão resistente.
O número de mortes por gripe na Bahia apresentou aumento expressivo no primeiro semestre de 2025, atingindo 97 óbitos, quase cinco vezes mais do que os 20 registrados no mesmo período de 2024, conforme dados do DataSUS, ligado ao Ministério da Saúde. Entre as vítimas, 49 eram homens e 48 mulheres, enquanto no ano anterior haviam sido 8 e 12, respectivamente. O município de Guanambi, no centro-sul do estado, concentrou 19 mortes, representando quase 20% do total estadual. Apesar de ser uma doença prevenível por vacinação, a gripe ainda evolui para casos graves, especialmente entre idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas, grupo que apresenta menor adesão à imunização. As autoridades de saúde reforçam o alerta sobre a gravidade da síndrome respiratória aguda grave e destacam a importância da vacinação como principal medida de proteção contra complicações e mortes decorrentes da doença.
Nos últimos cinco anos, a Bahia tem enfrentado uma preocupante mudança no perfil dos contaminados por hepatites virais. De acordo com dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), houve um crescimento expressivo nos casos, especialmente de hepatite A, com impacto mais severo entre adultos jovens de 20 a 39 anos. Somente entre janeiro e julho de 2025, foram registrados 65 casos de hepatite A no estado — número quase cinco vezes maior que o total de 2021, quando ocorreram apenas 13 infecções. No acumulado desde 2021, são 200 casos confirmados e 8 mortes. Especialistas atribuem esse aumento ao crescimento de relações sexuais desprotegidas, já que o vírus da hepatite A pode ser transmitido por via fecal-oral, inclusive durante o sexo. O hepatologista Raymundo Paraná alerta que muitos adultos não possuem imunidade, pois não foram expostos ao vírus na infância nem vacinados. Apesar da inclusão recente dessa faixa etária nas campanhas de vacinação após surtos em 2024, a imunização contra a hepatite A ainda não faz parte do calendário rotineiro de vacinação de adultos no Brasil — o que tem sido alvo de críticas de profissionais de saúde. Já as hepatites B e C, que podem evoluir para quadros crônicos graves, apresentam números ainda mais elevados. Entre 2021 e 2025, foram notificados 3.064 casos de hepatite B e 3.238 de hepatite C na Bahia, com 12 e 17 óbitos, respectivamente. Embora os diagnósticos tenham caído desde 2023, os efeitos das infecções persistem, como insuficiência hepática e câncer. No cenário nacional, os números também preocupam: somente em 2024, o Brasil registrou mais de 34 mil casos de hepatites virais e cerca de 1.100 mortes, com a maioria associada às formas B e C. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu como meta global reduzir em 90% os novos casos e em 65% as mortes por hepatites B e C até 2030. Diante dos números atuais, especialistas reforçam que ampliar o acesso à vacinação e ao diagnóstico precoce é fundamental para conter a escalada silenciosa dessas infecções.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução que proíbe, em todo o território nacional, o uso de anestesia geral, sedação ou bloqueios anestésicos periféricos para fins estéticos, especificamente na realização de tatuagens. A medida foi oficializada nesta segunda-feira (28) por meio do Diário Oficial da União. A decisão é válida para qualquer tipo de tatuagem, independentemente do tamanho ou da região do corpo, com exceção apenas para casos médicos em que a tatuagem seja parte de um tratamento reconstrutivo, como no processo de recuperação de pacientes submetidos a cirurgias ou traumas. O alerta surge em meio a uma tendência crescente entre celebridades de recorrer a anestesia para longas sessões de tatuagem. Um caso recente que chamou atenção foi o do empresário e influenciador Ricardo Godoi, de 46 anos, que faleceu após supostamente se submeter a uma anestesia geral para tatuar o corpo em Santa Catarina. A prática, apesar de perigosa, vinha sendo adotada por famosos como Igor Kannário, que fechou o corpo inteiro em uma única sessão, e Rafaella Santos, irmã do jogador Neymar, que tatuou as costas. O cantor MC Cabelinho também admitiu ter ficado entubado por oito horas durante uma tatuagem, após contratar uma equipe médica para aplicar anestesia. Segundo especialistas, o uso de anestesia geral sem necessidade clínica envolve riscos significativos, como reações adversas, complicações respiratórias e até a morte. Com a nova resolução, o CFM reforça que a aplicação desse tipo de procedimento deve se restringir ao ambiente hospitalar e a situações em que haja real indicação médica, garantindo a segurança dos pacientes.