
Marcos Oliver
Todos os anos, dezembro chega trazendo luzes, músicas repetidas, vitrines enfeitadas, reencontros familiares e uma pergunta que nem sempre é feita em voz alta: afinal, o que exatamente estamos comemorando no Natal? A data é associada ao nascimento de Jesus Cristo, mas sua origem histórica é mais complexa do que muitos imaginam — e envolve religião, política, cultura e, nos tempos modernos, economia. O Natal, como o conhecemos hoje, não surgiu de forma imediata nem exatamente da maneira como é retratado nas celebrações atuais. A construção dessa data levou séculos. Do ponto de vista histórico, não há consenso de que Jesus tenha nascido em 25 de dezembro. Os próprios textos bíblicos não indicam um dia específico para o nascimento de Cristo. Nos Evangelhos do Novo Testamento — Mateus, Marcos, Lucas e João — o nascimento é narrado, mas sem qualquer referência a data, mês ou ano exato. O Antigo Testamento, por sua vez, obviamente não aborda o Natal, já que seus textos antecedem o nascimento de Jesus.
A escolha do dia 25 de dezembro aconteceu séculos depois. Registros históricos indicam que a data começou a ser oficialmente celebrada pela Igreja Cristã por volta do século IV, durante o Império Romano. Naquele período, Roma comemorava festas pagãs ligadas ao solstício de inverno no hemisfério norte, como a Saturnália e o “Dies Natalis Solis Invicti”, o dia do nascimento do Sol Invencível. Essas celebrações marcavam o fim dos dias mais curtos do ano e o retorno gradual da luz solar. Ao adotar o 25 de dezembro como data do nascimento de Cristo, a Igreja encontrou uma forma estratégica de cristianizar festividades já populares entre os romanos, facilitando a aceitação do cristianismo em uma sociedade que ainda mantinha fortes tradições pagãs. Assim, o Natal não foi exatamente “criado”, mas incorporado e ressignificado. O próprio nome “Natal” vem do latim natalis, que significa nascimento. Em diferentes idiomas, essa origem permanece evidente: Natale em italiano, Noël em francês, Navidad em espanhol. A ideia central sempre foi o nascimento — não apenas de uma figura histórica, mas de um símbolo de esperança, renovação e salvação para os cristãos. Do ponto de vista religioso, muitos estudiosos defendem que Jesus provavelmente nasceu entre os meses de março e setembro, com base em descrições bíblicas como a presença de pastores nos campos durante a noite, algo improvável no rigor do inverno da Judeia. Ainda assim, para a fé cristã, a data exata perde importância diante do significado espiritual atribuído ao evento. Com o passar dos séculos, o Natal ultrapassou os limites da religião e se tornou um fenômeno cultural global. Elementos como a árvore, o Papai Noel, as trocas de presentes e a decoração surgiram de tradições europeias, sobretudo germânicas, e foram sendo incorporadas ao imaginário coletivo. O Papai Noel, por exemplo, é inspirado em São Nicolau, um bispo conhecido por ajudar os pobres, mas ganhou sua aparência atual apenas no século XIX, impulsionado por ilustrações, literatura e, mais tarde, campanhas publicitárias. É nesse ponto que o Natal passa a exercer forte influência sobre o comércio e o marketing. Hoje, a data é uma das mais importantes para a economia mundial. No Brasil, dezembro representa um dos períodos de maior faturamento para o varejo, impulsionado pelo pagamento do 13º salário, pelas confraternizações e pela tradição de presentear. Campanhas publicitárias exploram emoções como nostalgia, união familiar, solidariedade e esperança — sentimentos diretamente associados ao imaginário natalino. O Natal movimenta setores como alimentação, vestuário, eletrônicos, turismo e serviços. Para o comércio, é um período decisivo, capaz de definir o fechamento positivo ou negativo de um ano inteiro. Para o consumidor, é um momento que mistura alegria, expectativa e, muitas vezes, pressão financeira. Mas, para além dos números e das vitrines iluminadas, o Natal mantém um peso emocional significativo. É uma data que simboliza recomeços, reconciliações e o desejo coletivo de que o próximo ano seja melhor. Mesmo entre pessoas que não seguem a tradição cristã, o Natal permanece como um convite à convivência, à generosidade e à reflexão. Assim, o Natal que se celebra hoje é resultado de uma longa construção histórica. Não é apenas uma data bíblica, nem apenas uma estratégia comercial. É um encontro entre fé, cultura, tradição e mercado — um reflexo da própria sociedade ao longo do tempo. Entender sua origem ajuda a compreender por que, mesmo após tantos séculos, dezembro continua carregado de significados que vão muito além do calendário.
Durante sua apresentação na noite deste último sábado (21), no tradicional São João de Macaúbas, a cantora Walkyria Santos, conhecida nacionalmente por sua passagem na banda Magníficos, precisou interromper o show devido a dificuldades vocais. Visivelmente emocionada, a artista chorou no palco principal, sendo acolhida com carinho pelo público presente. Walkyria conseguiu cantar por cerca de 50 minutos antes de deixar o local para receber atendimento médico. Por orientação profissional, ela cancelou a próxima apresentação que faria na cidade vizinha de Boquira, a aproximadamente 30 quilômetros de Macaúbas. Em suas redes sociais, a cantora desabafou: (SONORA) "Pela primeira vez, senti que não consegui entregar tudo que eu queria no palco. Meu coração estava ali, inteiro, mas minha voz não respondeu", escreveu. Ela ainda agradeceu ao público de Macaúbas pelo apoio caloroso e pediu desculpas aos fãs de Boquira, reforçando sua fé na recuperação: "Deus está comigo e vai restaurar meu canto. Sigo com gratidão e a vontade de continuar levando minha música até vocês", finalizou.
No clima do nosso São João, Dom Vicente entrevistou o professor Romero Venâncio, da UFS, em uma conversa rica, cheia de reflexões e memórias sobre essa festa tão querida do nosso povo.Um bate-papo leve, profundo e cheio de cultura nordestina, que vale a pena ouvir do começo ao fim. Acompanhe no programa A Voz do Bispo e entre no clima junino com fé, tradição e consciência!
Durante o último final de semana, Livramento de Nossa Senhora sediou o IV Encontro Anual de Capoeira promovido pela Associação Desportiva Ginga Ancestral, sob a coordenação do Mestre Raimundo e do Contramestre Di Bahia. O evento reuniu capoeiristas de diversas regiões e foi marcado por quatro dias intensos de programação, que incluiu oficinas, rodas de capoeira, batizado e troca de cordas, além de momentos de confraternização entre os participantes.
As atividades tiveram como objetivo não apenas celebrar a capoeira como expressão cultural afro-brasileira, mas também fortalecer os laços entre os integrantes da associação e incentivar a valorização dessa arte que une luta, dança, música e resistência.
Para o Mestre Raimundo, o encontro representa mais do que uma agenda de atividades: é um momento de união e reafirmação dos valores do grupo.
“O Ginga Ancestral é mais que um grupo de capoeira. É uma família. Através da nossa arte, buscamos transformar vidas, principalmente de crianças e jovens, promovendo disciplina, respeito e identidade cultural. Esse encontro é o reflexo de tudo que temos construído ao longo dos anos.”
O Contramestre Di Bahia também destacou a importância da continuidade do projeto:
“Cada corda trocada, cada roda formada, é resultado de muito trabalho e dedicação. O Ginga Ancestral é resistência, é ancestralidade, é o grito da nossa cultura ecoando por gerações. Ver tanta gente reunida nesse evento é uma grande conquista para todos nós.”
O IV Encontro Anual da Ginga Ancestral reafirmou a força da capoeira em Livramento, com momentos emocionantes de aprendizado, superação e celebração. A comunidade, familiares e visitantes prestigiaram as atividades e demonstraram apoio à continuidade da capoeira como ferramenta de transformação social no município.
No último domingo (26), o município de Barra da Estiva sediou uma celebração especial da tradição da Folia de Reis. O evento ocorreu na Praça Melquíades Caires, defronte à Igreja Matriz, reunindo grupos folclóricos em uma noite dedicada à fé, música e cultura popular. Com o objetivo de preservar e valorizar essa manifestação cultural, o 1º Encontro de Folia de Reis integra o calendário cultural do município e, em sua estreia, iniciou o resgate da essência dessa tradição centenária. A iniciativa busca fortalecer o vínculo da comunidade com suas raízes culturais. O encontro ofereceu à população e visitantes uma oportunidade de vivenciar a alegria e a espiritualidade que caracterizam a Folia de Reis, mantendo viva uma das expressões mais ricas do folclore brasileiro.
Comemorado em 06 de janeiro, o Dia de Reis marca o encerramento do ciclo natalino e celebra a chegada dos três Reis Magos — Gaspar, Melchior e Baltazar — ao encontro do menino Jesus em Belém, guiados pela estrela. A data simboliza o reconhecimento de Jesus como o Salvador e é celebrada por cristãos ao redor do mundo com diversas tradições culturais e religiosas. No Brasil, o Dia de Reis é conhecido também pelas festas populares e pelas tradicionais Folias de Reis, que envolvem música, cantoria e representações da visita dos magos. Além disso, muitas famílias aproveitam a data para desmontar os presépios e retirar os enfeites natalinos, encerrando oficialmente as celebrações do Natal. A celebração carrega um forte simbolismo de fé, fraternidade e gratidão, convidando os fiéis a refletirem sobre os valores representados pelos Reis Magos: generosidade, humildade e devoção.