
Operador 88
Um caso inusitado chamou a atenção em Salvador nesta semana: uma mulher que solicitou licença-maternidade para cuidar de um bebê reborn — boneco hiper-realista tratado por ela como filha — foi alvo de chacota no ambiente de trabalho e decidiu recorrer à Justiça pedindo indenização por danos morais. No entanto, com a forte repercussão nas redes sociais, a ação foi retirada dois dias após ser protocolada. A recepcionista, que trabalha desde 2020 em uma empresa no centro da capital baiana, havia solicitado 120 dias de licença, além do pagamento do salário-família. O pedido foi negado pela empresa, que alegou que a funcionária "não é mãe de verdade". Segundo a defesa, a negativa veio acompanhada de comentários constrangedores, como a declaração de um superior que afirmou que ela "precisava de psiquiatra, não de benefício". A ação trabalhista, registrada no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-BA) na terça-feira (27), buscava uma indenização de R$ 10 mil por danos morais, além da rescisão indireta do contrato de trabalho. A funcionária alegava ter sofrido um "abalo psíquico profundo" após ver sua maternidade deslegitimada, sendo ridicularizada e exposta ao vexame público. Os advogados sustentaram que o cerne da ação não era o benefício em si, mas os constrangimentos vividos pela mulher no ambiente profissional. Para a defesa, a maternidade ultrapassa o campo biológico, sendo um laço também emocional e afetivo, o que justificaria o pedido. Contudo, diante da grande repercussão negativa do caso nas redes sociais e da onda de críticas à funcionária e à própria ação, a defesa optou por desistir do processo na quinta-feira (29). O episódio reacende o debate sobre saúde mental, empatia no ambiente de trabalho e os limites entre a vida pessoal e o âmbito profissional, além de provocar discussões sobre o reconhecimento de vínculos afetivos não convencionais.
A economia brasileira registrou alta de 1,4% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2025, na comparação com os três últimos meses de 2024. O dado foi divulgado nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e reflete, sobretudo, o forte desempenho do setor agropecuário. De acordo com o IBGE, a agropecuária teve um crescimento expressivo de 12,2%, alavancada por uma safra robusta de produtos com colheita concentrada no início do ano. Já o setor de serviços — o maior da economia — teve uma leve alta de 0,3%, enquanto a indústria registrou variação negativa de 0,1%, sem mostrar força no período. Em valores correntes, o PIB brasileiro somou R$ 3 trilhões entre janeiro e março. No acumulado dos últimos quatro trimestres, a economia cresceu 3,5%. Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, a alta foi de 2,9%, quando o principal motor do crescimento havia sido o comércio. O resultado positivo indica um bom início de ano para a economia do país, com destaque para o campo, que volta a ser protagonista após desempenhos mais discretos nos trimestres anteriores. O desempenho da indústria, por outro lado, acende um alerta, ao mostrar estagnação no período. A expectativa agora recai sobre o segundo trimestre, com analistas atentos ao comportamento da inflação, das taxas de juros e da confiança do consumidor para avaliar a sustentabilidade do crescimento.
Pela primeira vez na história, a Dívida Pública Federal (DPF) superou os R$ 7,6 trilhões, alcançando R$ 7,617 trilhões em abril. O crescimento de 1,44% em relação ao mês anterior, quando o valor era de R$ 7,508 trilhões, foi impulsionado, principalmente, pelos juros acumulados sobre os títulos públicos. Os dados foram divulgados na quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional. Em grande parte, o aumento se deve à emissão líquida de R$ 41,42 bilhões em títulos e à apropriação de R$ 70,3 bilhões em juros — valor que reflete o reconhecimento mensal dos encargos sobre os papéis emitidos pelo governo, os quais são incorporados ao total da dívida. Mesmo com esse avanço, o montante ainda está dentro da margem projetada pelo Plano Anual de Financiamento (PAF), que estima que a DPF encerre o ano entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões. A Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi), composta por títulos emitidos no mercado nacional, também apresentou crescimento, saindo de R$ 7,199 trilhões em março para R$ 7,31 trilhões em abril — uma alta de 1,55%. A pressão sobre o endividamento do governo segue influenciada pela taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13,75% ao ano, o que torna o custo da dívida mais elevado e afeta diretamente o ritmo de expansão do estoque da DPF.
O cantor Marlon Brandon Coelho Couto, conhecido como MC Poze do Rodo, foi preso no fim da madrugada desta quinta-feira (29) por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ele é investigado por apologia ao crime e suposto envolvimento com o tráfico de drogas. A prisão temporária foi cumprida na residência do artista, localizada em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste da capital fluminense. Poze não quis se pronunciar durante o trajeto entre sua casa e a Cidade da Polícia, limitando-se a reclamar por estar algemado. Segundo as investigações da DRE, Poze costuma se apresentar exclusivamente em áreas dominadas pela facção Comando Vermelho (CV), com forte presença de traficantes armados com fuzis. De acordo com a Polícia Civil, isso não apenas garantiria a segurança dos eventos, mas também serviria como uma estratégia da organização criminosa para movimentar recursos oriundos da venda de drogas. Ainda de acordo com os investigadores, as músicas de MC Poze conteriam trechos que exaltam o tráfico de drogas, o uso ilegal de armas e incitam confrontos entre facções rivais, o que, segundo a polícia, aumenta o risco de violência e coloca em perigo moradores das comunidades. A defesa do cantor ainda não se manifestou publicamente sobre a prisão. O caso segue sob investigação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova legislação que institui a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental. A medida, publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (26), garante o acolhimento adequado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a mães, pais e familiares que sofrem a dor da perda de um filho durante a gestação, no parto ou logo após o nascimento. A iniciativa tem como objetivo oferecer uma rede de apoio humanizada nos momentos mais sensíveis da vida de uma família. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha — que propôs o projeto enquanto exercia mandato como deputado federal — ressaltou que a construção da lei foi resultado do diálogo com diversas mulheres que compartilharam suas experiências de perda. Atualmente, esse tipo de atendimento especializado ainda é uma exceção no Brasil, presente apenas em três instituições: o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), o Hospital Materno de Ribeirão Preto (SP) e a Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão, no Piauí. Além da criação da política de cuidado no SUS, a nova lei também altera a legislação sobre registros públicos, permitindo que bebês natimortos sejam oficialmente registrados com o nome escolhido pelos pais durante a gestação — uma mudança significativa que reconhece simbolicamente a existência do filho, respeitando o vínculo afetivo das famílias. A nova política representa um avanço importante no reconhecimento do luto perinatal como uma experiência real e digna de atenção, oferecendo suporte emocional e psicológico por meio da saúde pública.
O técnico italiano Carlo Ancelotti foi apresentado oficialmente na segunda-feira (26) como novo comandante da Seleção Brasileira. Em uma cerimônia realizada no Rio de Janeiro, o treinador multicampeão expressou entusiasmo com o desafio e revelou sua primeira lista de convocados para os próximos compromissos das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, contra Equador (05 de junho) e Paraguai (10 de junho). Visivelmente emocionado, Ancelotti falou sobre a honra de liderar a equipe pentacampeã mundial. Durante a coletiva, o técnico agradeceu à CBF pela oportunidade e também ao Real Madrid, seu ex-clube, por permitir a negociação. A convocação traz uma mistura de nomes consagrados e jovens promessas, com destaque para a presença de jogadores que atuam em clubes brasileiros e do exterior. Veja a lista completa: Goleiros: Alisson (Liverpool); Bento (Al-Nassr); Hugo Souza (Corinthians). Defensores: Alex Sandro (Flamengo); Alexsandro (Lille); Beraldo (PSG); Carlos Augusto (Inter de Milão); Danilo (Flamengo); Léo Ortiz (Flamengo); Vanderson (Mônaco); Wesley (Flamengo); Marquinhos (PSG). Meio-campistas: Andreas Pereira (Fulham); Andrey Santos (Strasbourg); Bruno Guimarães (Newcastle); Casemiro (Manchester United); Ederson (Atalanta); Gerson (Flamengo). Atacantes: Antony (Betis); Estevão (Palmeiras); Martinelli (Arsenal); Matheus Cunha (Wolverhampton); Raphinha (Barcelona); Richarlyson (Tottenham); Vinícius Junior (Real Madrid). Com esse elenco, Ancelotti dá início a um novo ciclo à frente da Seleção Brasileira, mirando não só a classificação para a Copa, mas também o retorno do Brasil ao protagonismo no futebol mundial.
A regulamentação das redes sociais no Brasil pode ganhar um novo capítulo ainda antes de um projeto de lei ser aprovado no Congresso. A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido que defende a responsabilização de plataformas digitais por conteúdos ilícitos impulsionados ou criados por inteligência artificial, como fraudes digitais e desinformação. O pedido foi motivado por anúncios enganosos que prometiam repasses de dinheiro a aposentados supostamente lesados por fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a AGU, os provedores devem responder legalmente por esse tipo de conteúdo, sobretudo quando lucram com sua veiculação. O caso está sob relatoria do ministro Dias Toffoli e, se acolhido, pode gerar uma decisão liminar que antecipa a regulamentação do ambiente digital no país por meio do Judiciário, enquanto o tema ainda enfrenta impasses legislativos no Congresso Nacional. A proposta reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão nas redes e o papel das plataformas na contenção da desinformação, especialmente em tempos de avanço das ferramentas de inteligência artificial.
Aposentados e pensionistas do INSS começam a receber, a partir desta segunda-feira (26), o reembolso de valores relacionados a mensalidades associativas que foram descontadas indevidamente na folha de pagamento do mês de abril. O montante total a ser restituído aos beneficiários chega a R$ 292 milhões. De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social, os valores serão incorporados automaticamente ao pagamento dos benefícios, sem que o cidadão precise realizar qualquer solicitação ou procedimento adicional. A restituição será efetuada de forma escalonada, conforme o calendário habitual de pagamentos, e deve ser concluída até a primeira semana de junho. A medida busca reparar cobranças que geraram grande repercussão entre segurados nos últimos meses. Para conferir se o valor foi incluído, os beneficiários podem acessar o extrato de pagamento por meio do aplicativo ou site do Meu INSS.
Estão abertas a partir desta segunda-feira (26), às 10h, as inscrições para o novo concurso da Polícia Federal, com vagas para delegado, perito criminal, agente, escrivão e papiloscopista. Os salários iniciais são de R$ 26.800 para delegado e perito, e R$ 14.164,81 para os demais cargos. As inscrições seguem até 13 de junho, às 18h, pelo site do Cebraspe. Podem se candidatar graduados em qualquer área para os cargos de agente, escrivão e papiloscopista. Para delegado e perito, é exigida formação específica. A jornada é de 40 horas semanais. Do total de vagas, 20% são reservadas a negros e indígenas, e 5% a pessoas com deficiência.
O novo técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, será apresentado oficialmente nesta segunda-feira (26), em um hotel na Zona Oeste do Rio. A primeira entrevista do italiano atraiu mais de 500 pedidos de credenciamento e reunirá mais de 200 jornalistas de ao menos oito países, incluindo Itália, Espanha, EUA, Emirados Árabes, Alemanha, Japão, Chile e Brasil. A CBF mobilizou uma produtora para registrar toda a chegada do treinador, desde o voo de Madri até sua chegada ao hotel no Rio na noite de domingo, onde foi recebido com festa. A nova diretoria da CBF, eleita no domingo, também estará presente na apresentação.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem um novo nome à frente de sua presidência: Samir Xaud foi eleito no domingo (25) para comandar a entidade entre 2025 e 2029. A eleição ocorreu na sede da CBF, no Rio de Janeiro, com a chapa "Futebol para Todos: Transparência, Inclusão e Modernização" sendo a única inscrita no pleito. Natural de Boa Vista, Roraima, e com 41 anos, Xaud recebeu 103 votos, contando com a presença de 46 eleitores. Além do presidente, também foram eleitos oito vice-presidentes: Ednailson Rozenha, Fernando Sarney, Flávio Zveiter, Gustavo Henrique, José Vanildo, Michelle Ramalho, Ricardo Gluck Paul e Rubens Angelotti. A candidatura de Xaud contou com o apoio de 26 federações estaduais e de clubes importantes do futebol brasileiro, como Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Vasco e Criciúma. Em seu discurso de posse, o novo presidente destacou que a gestão será baseada na coletividade e na renovação. A eleição marca o início de um novo ciclo na entidade máxima do futebol brasileiro, com a expectativa de maior diálogo entre a confederação, os clubes e as federações.
Os primeiros resultados do Censo Demográfico 2022 indicam que o Brasil conta com cerca de 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o que representa 7,3% da população com dois anos ou mais, estimada em 198,3 milhões de habitantes. Entre esses, os idosos com 60 anos ou mais correspondem a quase metade do grupo, 45,4%, enquanto na população sem deficiência essa faixa etária representa apenas 14%. O levantamento também aponta que a maioria das pessoas com deficiência são mulheres, totalizando 8,3 milhões, contra 6,1 milhões de homens. Esse padrão se mantém em todas as grandes regiões do país, possivelmente relacionado à maior longevidade feminina. Os dados fazem parte da publicação “Censo Demográfico 2022: Pessoas com Deficiência e Pessoas Diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista – Resultados preliminares da amostra”, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (23). Desde 2010, o IBGE passou a utilizar uma abordagem focada nos domínios funcionais para identificar a deficiência, alinhada às recomendações do Grupo de Washington e adaptada à realidade brasileira. Por isso, embora o tema já tenha sido tratado nos censos de 1991, 2010 e 2022, assim como em outras pesquisas como a PNAD Contínua e a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), as diferenças metodológicas existentes impedem comparações diretas entre os dados ao longo do tempo. Essas informações fornecem uma base atualizada para a formulação de políticas públicas voltadas à inclusão e atendimento das pessoas com deficiência no país.
O ex-policial militar Ronny Pessanha de Oliveira, que integrou o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), está sendo investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro por supostamente oferecer treinamento tático a chefes do tráfico de drogas ligados ao Comando Vermelho. De acordo com a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), ele cobrava até R$ 1,5 mil por hora para instruções que envolviam técnicas de combate e tiro ao alvo. As investigações fazem parte da Operação Contenção, conduzida pela Polícia Civil com o objetivo de desarticular facções criminosas que disputam o controle de áreas na Zona Oeste da capital fluminense. Conforme a DRF, Pessanha teria se tornado uma peça-chave para o crime organizado, fornecendo conhecimentos adquiridos durante sua atuação na elite da Polícia Militar. Expulso da corporação em 2022, Ronny Pessanha já havia sido preso em 2020 por envolvimento com a milícia. À época, ele foi apontado como integrante de grupos responsáveis por extorsões e grilagem de terras nas comunidades de Rio das Pedras e Muzema. Após ser solto, teria migrado para o tráfico, firmando aliança com criminosos na mesma região. O delegado Jefferson Teixeira destacou que o ex-PM passou a utilizar seu preparo tático e conhecimento do terreno para fortalecer a atuação das facções, contribuindo diretamente para a violência e instabilidade na Zona Oeste. As investigações seguem em andamento, e a Polícia Civil trabalha para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar as ligações entre ex-agentes de segurança e o crime organizado no Rio de Janeiro.
O governo federal prepara os últimos detalhes de uma medida provisória (MP) que deve provocar mudanças significativas no setor elétrico, com impacto direto nas contas de luz da população de classe média. A proposta amplia os critérios da tarifa social, oferecendo isenção total para famílias de baixa renda que consomem até 80 kWh por mês. Já aquelas com consumo de até 120 kWh e renda per capita entre meio e um salário mínimo terão direito a desconto na fatura. Segundo estimativas do governo, cerca de 60 milhões de brasileiros serão beneficiados com a medida. No entanto, o custo do programa, estimado em R$ 3,6 bilhões por ano, será bancado por consumidores do mercado regulado — que inclui residências e pequenos comércios. Isso pode gerar um aumento médio de 1,4% nas tarifas de energia elétrica. Consultorias independentes, como a Volt Robotics, apontam para um impacto ainda maior. A empresa calcula que os custos com a nova política possam chegar a R$ 7 bilhões, o que pressionaria ainda mais as tarifas, sobretudo para consumidores que não se enquadram no perfil de baixa renda. O Ministério de Minas e Energia foi procurado, mas não comentou a proposta. A medida ainda não tem data exata para ser publicada, mas integra a estratégia do governo de ampliar programas sociais com foco na população mais vulnerável, mesmo que isso represente um repasse de custos para a classe média e o pequeno comércio.
Um drama familiar que atravessou mais de uma década ganhou um desfecho simbólico e emocionante: a advogada baiana Camila Pita, de 27 anos, defendeu a própria mãe, Rosália Maria, em um julgamento por homicídio que se arrastava havia 12 anos. A acusação, que marcou profundamente a adolescência de Camila, aconteceu em 2012, quando ela tinha apenas 14 anos e vivia com a mãe e a avó em Valença, no baixo sul da Bahia. Naquele 13 de março, a vida da família mudou para sempre. José Antônio Silva, namorado de Rosália, foi encontrado morto dentro de um carro. O casal, segundo familiares, vivia um processo de separação conturbado, e Rosália, que foi a última pessoa a estar com ele, acabou sendo investigada como principal suspeita. A partir de então, o que se seguiu foram anos de incertezas, adiamentos e angústias. O processo não avançava, e a então adolescente começou a acompanhar de perto cada passo do caso. Questionava advogados, lia autos e passou a se interessar pelo funcionamento da Justiça. Quando chegou a hora de escolher uma profissão, não teve dúvidas: faria Direito, com foco em Direito Penal. A princípio, Camila não cogitava subir ao tribunal como defensora da mãe. Imaginava que o caso estaria resolvido antes mesmo de colar grau. Mas os anos passaram, e em novembro de 2024, ela viveu o momento mais desafiador de sua carreira — e de sua vida — ao integrar a equipe de sete advogadas que defenderam Rosália no tribunal do júri. Formada em 2021, Camila acumulou experiências em outros julgamentos antes de enfrentar esse desafio pessoal. A atuação dela no caso da mãe é um retrato da persistência de uma filha em busca de justiça — e da força de uma família diante da espera e da dor prolongadas.