
Marcos Oliver
Um caso inusitado chamou a atenção em Salvador nesta semana: uma mulher que solicitou licença-maternidade para cuidar de um bebê reborn — boneco hiper-realista tratado por ela como filha — foi alvo de chacota no ambiente de trabalho e decidiu recorrer à Justiça pedindo indenização por danos morais. No entanto, com a forte repercussão nas redes sociais, a ação foi retirada dois dias após ser protocolada. A recepcionista, que trabalha desde 2020 em uma empresa no centro da capital baiana, havia solicitado 120 dias de licença, além do pagamento do salário-família. O pedido foi negado pela empresa, que alegou que a funcionária "não é mãe de verdade". Segundo a defesa, a negativa veio acompanhada de comentários constrangedores, como a declaração de um superior que afirmou que ela "precisava de psiquiatra, não de benefício". A ação trabalhista, registrada no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-BA) na terça-feira (27), buscava uma indenização de R$ 10 mil por danos morais, além da rescisão indireta do contrato de trabalho. A funcionária alegava ter sofrido um "abalo psíquico profundo" após ver sua maternidade deslegitimada, sendo ridicularizada e exposta ao vexame público. Os advogados sustentaram que o cerne da ação não era o benefício em si, mas os constrangimentos vividos pela mulher no ambiente profissional. Para a defesa, a maternidade ultrapassa o campo biológico, sendo um laço também emocional e afetivo, o que justificaria o pedido. Contudo, diante da grande repercussão negativa do caso nas redes sociais e da onda de críticas à funcionária e à própria ação, a defesa optou por desistir do processo na quinta-feira (29). O episódio reacende o debate sobre saúde mental, empatia no ambiente de trabalho e os limites entre a vida pessoal e o âmbito profissional, além de provocar discussões sobre o reconhecimento de vínculos afetivos não convencionais.
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