
Marcos Oliver
Mais de 30% dos cursos de medicina do país tiveram desempenho insuficiente no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed, aplicado a estudantes do último ano da graduação. A prova revelou dificuldades em conteúdos básicos do atendimento médico, como diagnóstico de dengue, avaliação de dores de cabeça e prescrição de medicamentos. O exame contou com a participação de mais de 39 mil alunos, de 351 faculdades. Entre os estudantes reprovados, a maioria errou questões consideradas simples pelo Inep. Em uma delas, sobre sintomas graves de dengue, 66% não souberam indicar a conduta correta. Em outra, relacionada a dor de cabeça persistente, 65% também erraram. Especialistas alertam que falhas desse tipo podem colocar pacientes em risco, principalmente em casos que exigem diagnóstico rápido. Estudantes relataram problemas na formação prática, como falta de aulas com especialistas, ausência de hospital-escola e excesso de alunos em estágios. O Ministério da Educação informou que faculdades com baixo desempenho poderão sofrer sanções, como suspensão de novas matrículas e redução de vagas. O Conselho Federal de Medicina defende a criação de um exame de proficiência obrigatório para médicos recém-formados. Representantes das instituições privadas afirmam que o Enamed é um instrumento importante, mas não deve ser analisado de forma isolada. O resultado, no entanto, reacende o debate sobre a qualidade da formação médica no país.
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