
Operador 88
Nascida em Inhapim, interior de Minas Gerais, Luísa Militão alcançou um feito extraordinário ao se tornar, aos 24 anos, a juíza federal mais jovem do Brasil. A trajetória até o cargo foi marcada por foco, persistência e uma rotina intensa de estudos, que lhe rendeu aprovação em três concursos públicos altamente concorridos: para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Ministério Público da Bahia (MPBA) e Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG). Filha do interior mineiro, Luísa estudou na Escola Professor Jairo Grossi e, aos 16 anos, mudou-se para Viçosa para concluir o ensino médio no Coluni, colégio de aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Aos 17 anos, ingressou no curso de Direito da UFV, onde teve seu primeiro contato direto com o judiciário ao estagiar no TRF-1 entre 2019 e 2020, experiência que despertou sua paixão pela magistratura. Após se formar em 2021, ela retornou à cidade natal para um estágio de pós-graduação na Promotoria de Justiça e iniciou sua jornada nos concursos jurídicos.
As primeiras tentativas vieram ainda em 2021, para o Tribunal de Justiça de São Paulo e para a Polícia Civil de Minas Gerais, mas não avançou para as etapas seguintes. As reprovações não a desanimaram. Pelo contrário: foram o impulso para reorganizar sua estratégia. Luísa passou a advogar apenas para cumprir o requisito da prática jurídica e dedicou-se integralmente aos estudos com uma rotina diária de 8 horas, equilibrando videoaulas, leitura de doutrinas e exercícios físicos. Ela compartilhou nas redes sociais sua rotina e os desafios enfrentados, sempre com mensagens de fé e perseverança. Casada desde 2022 e morando em Vitória da Conquista, na Bahia, continuou prestando concursos em diversos estados. Teve mais uma eliminação na AGU, mas persistiu. Em julho de 2023, obteve avanço significativo ao passar para a segunda fase dos concursos do MPBA e do TRF-1. O resultado: aprovação no Ministério Público da Bahia em maio de 2024 e, meses depois, em outubro, a tão sonhada aprovação como juíza federal. Hoje, além de símbolo de superação, Luísa Militão é inspiração para milhares de concurseiros em todo o país. Sua trajetória mostra que o caminho da aprovação pode ser repleto de obstáculos, mas também de crescimento, autoconhecimento e, sobretudo, fé no processo.
O governo federal publicou, em edição extra do Diário Oficial da União na segunda-feira (28), uma portaria que estabelece o dia 02 de maio, próxima sexta-feira, como ponto facultativo para os órgãos da administração pública federal direta, autárquica e fundacional em localidades onde estados ou municípios também decretarem ponto facultativo nessa data. Com isso, servidores públicos dessas unidades poderão ter um recesso prolongado entre o feriado do Dia do Trabalho, celebrado em 01 de maio (quinta-feira), e o final de semana. Em dias de ponto facultativo, o expediente é suspenso sem prejuízo da remuneração dos funcionários. É importante destacar que, diferentemente dos feriados, o ponto facultativo não se aplica automaticamente ao setor privado. Cabe a cada empresa decidir se concede ou não a dispensa aos seus funcionários. O Dia do Trabalho, comemorado em 01 de maio, homenageia conquistas dos trabalhadores ao redor do mundo. A data tem origem em manifestações ocorridas no século XIX, nos Estados Unidos, durante a Revolução Industrial, quando operários reivindicaram melhores condições e a redução da jornada para oito horas diárias.
Uma possível nova camisa vermelha da Seleção Brasileira causou uma enxurrada de reações nas redes sociais entre os dias 28 e 29 de abril. A polêmica teve início após a divulgação de imagens não oficiais do suposto uniforme alternativo, que rapidamente viralizou e dominou o debate digital. De acordo com levantamento da consultoria Quaest, 90% das menções nas redes sociais foram negativas, com muitos usuários criticando a quebra das cores tradicionais associadas à equipe canarinho. A proposta de um uniforme vermelho foi interpretada por parte do público como um afastamento das cores da bandeira nacional — amarelo, azul, verde e branco — e acabou ganhando contornos políticos, sendo debatida inclusive entre figuras públicas e influenciadores com posições divergentes. A CBF, por meio de nota oficial, afirmou que as imagens que circulam na internet não correspondem ao uniforme oficial da Seleção para a Copa do Mundo de 2026. A entidade reforçou que nenhum novo modelo foi lançado até o momento e que qualquer futura decisão sobre o uniforme será tomada em parceria com a patrocinadora Nike, que também não comentou oficialmente sobre o visual especulado. O boato começou a ganhar força após uma publicação do site especializado "Footy Headlines", conhecido por antecipar vazamentos de camisas de clubes e seleções. Ainda segundo a Quaest, foram mais de 24 milhões de menções ao assunto, com um alcance estimado em 43 milhões de visualizações. Até que uma apresentação oficial aconteça, a camisa vermelha segue apenas como especulação — mas uma que já provocou grande agitação entre os torcedores brasileiros.
O influenciador Iran Ferreira, conhecido como Luva de Pedreiro, foi condenado pela Justiça do Rio de Janeiro a indenizar seu ex-empresário Allan Jesus após romper o contrato de agenciamento que mantinham. A decisão, proferida pela 2ª Vara Cível da Barra da Tijuca, determina o pagamento de R$ 5,5 milhões, com acréscimos de juros e correções monetárias, além de R$ 120 mil por danos morais. A sentença ainda obriga o influenciador baiano, natural de Quijingue, a reembolsar todos os valores investidos por Allan Jesus no desenvolvimento de sua carreira e no sustento dele e de sua família. Somados os danos morais à empresa ASJ Consultoria, o valor total da indenização ultrapassa R$ 5,55 milhões. Na decisão, o juiz Mario Cunha Olinto Filho destacou que o sucesso meteórico de Luva nas redes sociais — passando de 285 mil para 17 milhões de seguidores — não teria acontecido sem a atuação direta do ex-agente. A defesa de Iran alegou que o contrato era abusivo e que o influenciador não possuía instrução suficiente para compreender os termos, alegando inclusive que ele seria analfabeto. No entanto, o juiz não acatou os argumentos, frisando que Iran teve assessoria jurídica no momento da assinatura do contrato e que sua origem humilde não anula sua capacidade de decisão. Os advogados de Luva de Pedreiro ainda podem recorrer da decisão. O caso continua repercutindo nas redes sociais e gerando debate sobre os bastidores do sucesso digital e as responsabilidades jurídicas envolvidas.
As enchentes devastadoras que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 podem se tornar cinco vezes mais frequentes em todo o país, segundo um novo relatório da Agência Nacional de Águas (ANA). O estudo, elaborado com apoio de universidades e instituições como a UFRGS, UnB e o Serviço Geológico do Brasil, revela que desastres que antes ocorriam a cada 50 anos podem passar a acontecer a cada dez, com intensidade ainda maior. De acordo com o relatório “As enchentes no Rio Grande do Sul: lições, desafios e caminhos para um futuro resiliente”, as mudanças climáticas — agravadas pela ação humana — estão elevando o risco hidrológico no país. Modelos matemáticos e dados históricos apontam que a vazão dos rios no estado gaúcho deve aumentar cerca de 20% em relação às marcas máximas atuais. O cenário exige ações urgentes de adaptação, como investimentos em infraestrutura, planejamento urbano e gestão de riscos. O documento destaca que o Rio Grande do Sul será a região mais afetada do Brasil, devido tanto ao clima mais instável quanto à vulnerabilidade geográfica, com bacias hidrográficas de resposta rápida. Cidades como Porto Alegre, Guaíba, Eldorado do Sul, Pelotas e Rio Grande estão entre as mais expostas, podendo enfrentar níveis de água até um metro acima dos limites de proteção atuais. Em áreas serranas e nos vales, rios como o Taquari e o Jacuí poderão subir até três metros acima do nível considerado seguro, em eventos extremos. Durante as enchentes históricas de 2024, por exemplo, o rio Guaíba atingiu 5,35 metros em Porto Alegre, superando em quase um metro o recorde de 1941 e ultrapassando em mais de dois metros a cota de inundação, que é de 3 metros. O estudo sugere elevar esse parâmetro para até 4 metros. A análise conclui que é urgente redimensionar as obras de proteção no país. Isso inclui drenagem urbana, diques, comportas e barragens. A ANA cita exemplos internacionais como Reino Unido, Bélgica e Austrália, que aumentaram em até 30% os padrões de segurança em projetos de infraestrutura para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
Débora Rodrigues dos Santos, cabeleireira, foi condenada a 14 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), acusada de envolvimento nos atos de vandalismo registrados em 08 de janeiro de 2023, em Brasília. Ela também foi responsabilizada por ter pichado a estátua "A Justiça", instalada em frente à sede da Corte, com a frase “Perdeu, mané”, utilizando batom. A pena foi estabelecida com base nos votos dos ministros Alexandre de Moraes — relator do caso —, Flávio Dino e Cármen Lúcia. O ministro Cristiano Zanin defendeu uma condenação menor, de 11 anos, enquanto Luiz Fux divergiu, propondo uma pena de apenas um ano e seis meses de prisão, ao entender que a acusada deveria ser punida apenas por deterioração de patrimônio tombado, e não por crimes contra o Estado Democrático de Direito. Apesar da divergência, prevaleceu a posição da maioria, reforçada por Alexandre de Moraes, que reiterou a participação de Débora nos atos considerados golpistas. O caso foi noticiado pelo site Correio 24h.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, internado desde o dia 13 de abril após passar por uma cirurgia no intestino e na parede abdominal, apresentou uma piora em seu quadro clínico, conforme boletim médico divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Hospital DF Star. Segundo o documento, Bolsonaro segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde foi registrado um aumento da pressão arterial e agravamento nos exames laboratoriais relacionados à função hepática. A equipe médica informou que o ex-presidente será submetido a novos exames de imagem para monitoramento. Ainda de acordo com o boletim, Bolsonaro continua com alimentação parenteral exclusiva, não recebendo alimentação oral, e segue realizando fisioterapia motora e medidas preventivas contra trombose venosa. Não há previsão de alta da UTI e o paciente continua sem poder receber visitas. O boletim médico foi assinado pelos principais membros da equipe médica que acompanha o ex-presidente, incluindo o chefe da equipe cirúrgica, Cláudio Birolini, os cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado, o coordenador da UTI, Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Júnior, e os diretores do hospital, Guilherme Meyer e Allisson Barcelos Borges.
O ex-presidente da República e ex-senador Fernando Collor de Mello foi preso nas primeiras horas desta sexta-feira (25), em Maceió (AL), após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem de prisão foi executada enquanto Collor se preparava para viajar rumo a Brasília, onde, segundo seus advogados, ele planejava se entregar espontaneamente. A detenção ocorreu após o esgotamento de todos os recursos judiciais no processo em que Collor foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A pena, estabelecida em 2023, é de 8 anos e 10 meses de reclusão. O caso está relacionado às investigações da Operação Lava Jato e envolve contratos fraudulentos firmados entre a BR Distribuidora — subsidiária da Petrobras — e a empresa UTC Engenharia. De acordo com o Ministério Público Federal, entre 2010 e 2014, Collor teria recebido quase R$ 30 milhões em vantagens indevidas. Em contrapartida, ele teria atuado politicamente para beneficiar a UTC na construção de bases de distribuição de combustíveis. O esquema também levou à condenação dos empresários Luis Pereira Duarte de Amorim e Pedro Paulo Bergamaschi de Leoni Ramos, apontados como partícipes na operação criminosa. A prisão de Collor representa o encerramento de um longo processo judicial e marca mais um capítulo da série de desdobramentos da maior investigação de corrupção da história recente do país.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi formalmente intimado nesta quarta-feira (23) sobre a ação penal que enfrentará no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na suposta trama golpista que visava impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A intimação foi realizada por um oficial de Justiça na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, onde Bolsonaro está internado após passar por uma cirurgia no intestino. O procedimento atende a uma exigência legal que prevê a comunicação pessoal de todos os réus sobre a abertura da ação penal. Desde o dia 11 de abril, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, os acusados que integram o núcleo 1 da investigação estão sendo intimados. Todos já haviam recebido a notificação entre os dias 11 e 15, exceto Bolsonaro, que teve seu estado de saúde considerado delicado após um mal-estar e a cirurgia subsequente. No entanto, o STF autorizou a intimação após o ex-presidente aparecer ao vivo em uma live feita diretamente da UTI, na terça-feira (22). A transmissão, segundo o STF, demonstrou que ele estava em condições de ser notificado.
O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, foi afastado de suas funções na manhã de quarta-feira (23) durante uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema de descontos irregulares aplicados em benefícios previdenciários. Denominada Sem Desconto, a operação mobilizou agentes em 13 estados e no Distrito Federal, com o cumprimento de 211 mandados de busca e apreensão e seis de prisão. A ação mira servidores públicos, operadores e integrantes de entidades associativas suspeitos de envolvimento nas cobranças indevidas. Segundo a investigação, aposentados e pensionistas foram alvo de descontos associativos não autorizados entre 2019 e 2024, período no qual o prejuízo estimado ultrapassa os R$ 6,3 bilhões. A Justiça também determinou o bloqueio de bens que somam mais de R$ 1 bilhão. A sede do INSS e servidores da gestão atual também foram alvos das diligências. Além de Stefanutto, outros seis funcionários foram afastados de suas funções como medida cautelar. A Polícia Federal segue apurando a extensão do esquema e os envolvidos diretos nas fraudes.
Uma grave ocorrência de violência doméstica foi registrada na noite do último domingo (13) no município de Nova Odessa, interior de São Paulo. Uma mulher foi detida em flagrante após lançar soda cáustica contra a própria filha, de 34 anos, durante uma discussão familiar. O ataque ocorreu em uma residência situada na Rua da Amizade. A Polícia Militar foi acionada para atender à denúncia e, ao chegar ao local, encontrou a vítima com sinais visíveis de lesões causadas pelo produto químico altamente corrosivo. Diante da gravidade da situação, equipes de emergência foram imediatamente chamadas para prestar socorro. A vítima foi levada com urgência ao Hospital de Nova Odessa, onde recebeu atendimento médico especializado devido ao risco de queimaduras severas. A identidade das envolvidas não foi divulgada. Após o depoimento da vítima, a polícia deu início às buscas pela suspeita, que foi localizada ainda nas proximidades e conduzida à Delegacia de Nova Odessa. Ela foi autuada em flagrante por lesão corporal, violência doméstica e ameaça, permanecendo à disposição da Justiça. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, as investigações seguem em andamento para apurar as circunstâncias que levaram ao crime. O estado de saúde da vítima ainda não foi atualizado até o momento.
Está em análise na Câmara dos Deputados uma proposta que pretende aumentar significativamente as punições para crimes relacionados ao envenenamento de água potável, alimentos e medicamentos. O Projeto de Lei 416/2025, de autoria do deputado Vicentinho Júnior (PP-TO), prevê mudanças no Código Penal para tornar mais rígidas as consequências desses atos, especialmente em casos que resultem em morte ou lesões graves. Pelo texto, a pena mínima para quem comete esse tipo de crime sobe de 10 para 12 anos de reclusão, podendo alcançar até 20 anos. Se houver morte, a punição pode chegar a até 40 anos de prisão. Já nos casos em que a vítima sofre lesão corporal de natureza grave, a proposta estabelece pena entre 15 e 25 anos. Para situações em que o crime é praticado de forma culposa — sem intenção de matar ou ferir —, o tempo de detenção será de 2 a 4 anos, acima do atual limite de seis meses a 2 anos. O parlamentar destaca que o objetivo da proposta é aumentar o efeito preventivo da lei, além de sinalizar à sociedade que o Estado está atento e comprometido com a segurança alimentar e sanitária da população. A proposta surgiu em resposta a uma série de episódios que chocaram o país entre o fim de 2024 e o início de 2025, quando diversos casos de envenenamento coletivo vieram à tona em estados como Piauí, Bahia e Rio Grande do Sul. A matéria ainda passará por análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e, posteriormente, será votada no Plenário da Câmara. Se aprovada, seguirá para apreciação do Senado antes de se tornar lei.
O valor do salário mínimo pode chegar a R$ 1.630 em 2026, conforme aponta o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) encaminhado na terça-feira (15) ao Congresso Nacional. O aumento proposto representa uma alta nominal de 7,37% em relação ao valor atual de R$ 1.518. A projeção leva em conta a estimativa de 4,76% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acrescida do limite máximo de 2,5% de crescimento real permitido pelo novo arcabouço fiscal. Essa regra busca equilibrar as contas públicas, estabelecendo que o crescimento dos gastos federais fique entre 0,6% e 2,5% acima da inflação. Além da proposta para 2026, o governo federal também antecipou valores estimados para os anos seguintes: R$ 1.724 em 2027, R$ 1.823 em 2028 e R$ 1.925 em 2029. Esses números, no entanto, ainda são preliminares e poderão ser revistos nas próximas edições do PLDO.
Desde 2023, o cálculo para o reajuste do salário mínimo voltou a considerar o INPC do ano anterior somado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes — fórmula que esteve em vigor entre 2006 e 2019. Contudo, com as limitações impostas pelo novo marco fiscal, o aumento real que poderia chegar a 3,4% ficou limitado ao teto de 2,5%. Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, cada real acrescido ao salário mínimo representa um impacto de aproximadamente R$ 400 milhões nas contas públicas. Isso se deve ao fato de que diversos benefícios, como aposentadorias, pensões, seguro-desemprego, BPC e o abono salarial, são vinculados ao valor do mínimo. Apenas na Previdência Social, a elevação para 2026 pode gerar um aumento de R$ 115,3 bilhões nas despesas, com expectativa de arrecadação adicional de R$ 71,2 bilhões.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta sexta-feira (11) pelo IBGE, apresentou um cenário misto para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A inflação oficial do país teve desaceleração entre fevereiro e março, mas os números acumulados seguem em alta e pressionam principalmente os alimentos, com destaque negativo para Salvador. Em março, o IPCA ficou em 0,56%, uma queda significativa em relação aos 1,31% registrados em fevereiro — o maior índice mensal desde março de 2022. No entanto, a inflação acumulada em 12 meses subiu para 5,48%, acima dos 5,06% do mês anterior, mantendo-se acima do centro da meta do Banco Central, que é de 3%. No ano, o índice já acumula alta de 2,04%. Em comparação, março de 2024 havia registrado variação de apenas 0,16%. Entre os grupos pesquisados, todos tiveram aumento. O maior vilão foi Alimentação e bebidas, com alta de 1,17% no mês e impacto de 0,25 ponto percentual no IPCA. Tomate (22,55%), ovo de galinha (13,13%) e café moído (8,14%) foram os itens que mais pesaram no bolso do consumidor. O café moído, sozinho, já acumula impressionantes 77,78% de aumento nos últimos 12 meses. O grupo Transportes teve alta de 0,46%, influenciado principalmente pelo aumento das passagens aéreas (6,91%), após queda de mais de 20% em fevereiro. Combustíveis subiram menos: a gasolina, por exemplo, variou 0,51%, contra os 2,78% do mês anterior. Nos recortes regionais, Curitiba e Porto Alegre lideraram a inflação de março, ambas com 0,76%, puxadas pelo aumento na gasolina. As menores variações ocorreram em Rio Branco (0,27%) e Brasília (0,27%), onde a redução nas passagens aéreas e no ônibus urbano ajudou a conter o índice. Salvador ficou abaixo da média nacional em março, com inflação de 0,41%. No entanto, tanto no acumulado do ano quanto no dos últimos 12 meses, a capital baiana superou o índice nacional. A inflação acumulada de janeiro a março chegou a 2,18% em Salvador, contra 2,04% no Brasil, enquanto nos últimos 12 meses a cidade registrou 5,63%, acima dos 5,48% do país. Apesar do alívio momentâneo, os dados mostram que o controle da inflação segue como desafio, principalmente no setor alimentício, que impacta diretamente o custo de vida das famílias brasileiras.
O governo federal pretende encaminhar ao Congresso Nacional, ainda neste semestre, um projeto de lei que visa reformar o setor elétrico brasileiro. Entre as principais propostas está a ampliação da Tarifa Social, com isenção total da conta de luz para famílias de baixa renda que consumirem até 80 kWh por mês — um benefício que poderá alcançar cerca de 60 milhões de pessoas em todo o país. Hoje, a isenção integral é garantida apenas a indígenas e quilombolas que consomem até 50 kWh por mês. Já idosos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e famílias inscritas no CadÚnico têm descontos escalonados de até 65%, para consumo de até 220 kWh. Com a nova proposta, todos os grupos terão gratuidade até o novo limite de 80 kWh, o que, segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, representa o consumo básico de uma família com geladeira, chuveiro elétrico, ferro de passar, televisão, carregadores e lâmpadas em seis cômodos. Ainda não está claro se os descontos escalonados serão mantidos para quem ultrapassar o limite de 80 kWh. De acordo com o ministro, os custos da ampliação da gratuidade serão compensados pela correção de distorções no setor elétrico, especialmente relacionadas à segurança energética. Silveira destacou que, atualmente, os consumidores mais pobres pagam proporcionalmente mais por encargos que mantêm usinas como Angra 1 e 2 e termelétricas, enquanto grandes consumidores do mercado livre contribuem pouco ou até mesmo não contribuem. Outra novidade prevista no projeto é a possibilidade de escolha da fonte de energia por parte dos consumidores residenciais. A proposta é permitir que qualquer cidadão possa escolher a origem da sua energia elétrica — como solar, eólica e hidrelétrica — diretamente pelo celular, comparando preços e realizando o pagamento pela internet ou via distribuidora. O texto final deve ser enviado à Casa Civil da Presidência da República ainda este mês, antes de seguir para apreciação no Congresso Nacional.