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Aliane Aguiar

Delegada da 20ª Coorpin afirma que violência contra a mulher corresponde cerca de 70% das ocorrências em Brumado

  • Por Redação do Jornal da 88

  • 12.Ago.2026 // 20h30

  • Brumado

Delegada  da 20ª Coorpin afirma que violência contra a mulher corresponde cerca de 70% das ocorrências em Brumado
Foto: Arquivo Pessoal

O Agosto Lilás é uma campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, que destaca a importância da prevenção da violência doméstica e celebra o aniversário da Lei Maria da Penha, criada em 07 de agosto de 2006. Se o que antes parecia pertencer apenas aos grandes centros urbanos, atualmente, tem explodido os casos de violência contra a mulher no sudoeste baiano, inclusive Livramento de Nossa Senhora e Rio de Contas, que recentemente, juntas registraram três casos de feminicídio. Para especialistas no assunto, o machismo é apontado como a principal causa da violência contra a mulher e, para frear essa triste realidade, a conscientização tem sido a maior aliada da sociedade.  Em entrevista ao JORNAL DA 88, a delegada da Neam — Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher —, que integra a 20ª Coorpin — Coordenadoria Regional de Polícia do Interior —, Ellen Pierot, conforme sua estimativa, de 60% a 70% das ocorrências registradas na cidade de Brumado, também no sudoeste da Bahia, decorrência de casos relacionados a agressão de homens contra mulheres. “É sempre uma crescente o número de ocorrências relacionadas à violência doméstica e familiar contra a mulher. Eu acredito que hoje nós abarcamos aqui em Brumado cerca de 60% a 70% do registro de ocorrências do município. Eu acredito também que nos outros municípios não seja diferente não: Livramento é uma cidade bastante grande, a gente vê uma movimentação, uma mobilização do nosso colega aí também nesse combate e nós temos vistos um número bastante significativo de registros”, afirmou Ellen. 

Pierot também fez questão de destacar sobre a importância do acolhimento familiar e, principalmente, a questão da escuta ativa, além, é claro, de prestar atenção aos sinais que costumam passar despercebidos por parte dos pais e demais familiares. “Para os pais de meninas é o acolhimento, é a oitiva, trazer a sua filha para mais perto de você, fazer com que ela confie em você, no primeiro sinal que ela perceber a abertura de chegar para o pai e para a mãe: ‘está acontecendo isso.’ Para os pais de meninos: a gente não deve criar filhos — ‘você tem que ser macho, não pode chorar’, não — a gente tem que tentar diminuir essa masculinidade tóxica, porque nossa geração, nós fomos criados assim: a menina brincava de comidinha, de bonequinha, sempre voltado para a maternidade, e os meninos àquelas atividades mais aventureiras, e nós somos capazes de exercer as duas”, esclareceu a delegada. Para finalizar, em relação aos números da violência de gênero, Ellen afirmou que em razão da ampla divulgação do Agosto Lilás, as mulheres são encorajadas a procurar ajuda policial e a denunciar casos de agressão. “Geralmente nos meses de campanha as ocorrências aumentam. Sabe por que? Porque as mulheres estão esclarecidas e encorajadas. Quanto mais mulheres nos ouvem, quanto mais a gente fala sobre o assunto, quanto mais a gente debate, mais a gente quer conversar. E quando as mulheres vão se conscientizando dos seus direitos, elas buscam ajuda. E a primeira porta é a delegacia”, afirmou. Se você mulher foi ou está sendo vítima de qualquer tipo de violência, busque ajuda por meio do número 180 ou procure a delegacia mais próxima e registre um boletim de ocorrência. 

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