
Aliane Aguiar
Neste último fim de semana chegou aos serviços de streaming, o segundo single de 2026 da cantora paulistana Adoracion. Intitulado “Talvez”, a música possui a assinatura lírica da intérprete, que segundo ela, possui o DNA de suas sentimentalidades. Quem ouve a canção pela primeira vez, de cara, é remetido, já na intro, para uma atmosfera Radiohead, que permeia a melancolia britânica, passando também por Keane, desaguando no folk rock brasileiro da Vanguart, indicativo de que a artista não quer inventar a roda, pois soa familiar, mas com originalidade de quem se atentou para cada detalhe do arranjo, ao mesmo tempo que em que esmerou a letra para que cada verso coubesse na melodia, que é um misto entre a música erudita marcada pelo piano ao fundo, com a modernidade pop sustentada por bateria, baixo e guitarra.
Em relação à letra, a balada é solar mesmo tendo como enredo o amor líquido típico destes tempos, com narrativa acessível, mas sem deixar de flertar com a poesia, principalmente ao fazer uso de metáforas, a exemplo do trecho — se sou tua flor me rega um pouquinho mais — , o desencontro, o excesso de expectativas, a cobrança por empenho feita pelo eu lírico em dissonância afetiva com seu par, são os ingredientes do puro suco de romantismo, mas com aura indie e com organicidade de quem não quer ser apenas uma trend para viralizar nos TikTok da vida; por tudo isso, Adoracion é um frescor que oxigena ainda mais o já vasto e rico cenário da chamada nova música popular brasileira independente. E quem for aos serviços streaming de música, além de "Talvez", no perfil da Adoracion, poderão conferir também outros trabalhos, como “Crise dos 20”, a também recente “Mero Caso” e “Coisinha Minha”, entre outras.
Comentários