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Aliane Aguiar

10 advogados são presos na Bahia suspeitos de envolvimento com facções criminosas

  • 04.Jul.2026 // 11h30

  • Bahia

10 advogados são presos na Bahia suspeitos de envolvimento com facções criminosas
Foto: Polícia Civil da Bahia

Na manhã da última sexta-feira, dia 3, o Ministério Público do Estado da Bahia, em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), a Secretaria de Segurança Pública (SSP) e a Polícia Civil, deflagrou a Operação Sintonia de Gravata. A ação tem como objetivo principal combater a atuação de facções criminosas que operam dentro e fora do sistema prisional baiano. No total, foram cumpridos 22 mandados de prisão preventiva e 15 ordens de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis. As diligências ocorreram em seis municípios: Serrinha, Salvador, Camaçari, Barreiras, Feira de Santana e Lauro de Freitas. As investigações apontam que os alvos integram grupos criminosos responsáveis por práticas como tráfico de drogas, aquisição, circulação, posse e guarda ilegal de armas de fogo. Além disso, a operação busca desmantelar a articulação mantida entre integrantes custodiados em unidades prisionais e comparsas em liberdade, estrutura que garante o funcionamento das atividades ilícitas mesmo com parte dos membros detidos. A ação integrada faz parte da estratégia das autoridades de segurança pública para interromper a cadeia de comando e o fluxo de recursos e armamentos que mantêm a organização dessas facções, reforçando o controle e a segurança no sistema penitenciário e na sociedade.

Prisão de 10 advogados - Investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelaram que facções criminosas estruturadas, com alcance regional, seguiam operando plenamente — mesmo com seus líderes custodiados em presídios de segurança máxima — graças a um sofisticado esquema de articulação e comunicação clandestina. A rede incluiu, ainda, a participação de advogados que teriam abusado de suas funções para burlar regras de isolamento. Conforme os promotores de Justiça, as organizações investigadas são responsáveis por tráfico de drogas, circulação ilegal de armas e articulação entre diferentes grupos, com impacto direto na segurança pública de todo o estado. Para manter as atividades, elas contavam com um núcleo externo dedicado a transmitir ordens e informações entre os chefes detidos e os membros em liberdade. Um ponto central das apurações é a atuação de advogados, que, segundo os elementos reunidos, usaram suas prerrogativas profissionais para driblar o regime de incomunicabilidade e isolamento. Esses profissionais exerciam papel estratégico: repassavam mensagens, ajudavam a definir decisões e acompanhavam o andamento das ações ilícitas. Com esse fluxo de informação funcionando, os líderes mantinham o controle total sobre a estrutura criminosa: gerenciavam o tráfico e a venda de entorpecentes, organizavam a compra e o transporte de armas, administravam recursos financeiros e resolviam disputas internas. A estrutura mostrou-se hierarquizada, dividida por funções e capaz de contornar os mecanismos de controle do sistema prisional, garantindo a continuidade e o fortalecimento das atividades criminosas. Ao todo, 10 advogados foram presos, sendo que o 10º foi preso apenas na tarde de ontem, em uma residência localizada na cidade de Marcionílio Souza, na Chapada Diamantina. 

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