OUÇA A 88
AO VIVO
NO AR
Show da Noite

Marcos Oliver

Natal: Tradição, fé, história e comércio — o que realmente celebramos em dezembro

  • Por Redação do Jornal da 88

  • 24.Dez.2025 // 10h10

  • Cultura

Natal: Tradição, fé, história e comércio — o que realmente celebramos em dezembro
Foto/Reprodução: Google

Todos os anos, dezembro chega trazendo luzes, músicas repetidas, vitrines enfeitadas, reencontros familiares e uma pergunta que nem sempre é feita em voz alta: afinal, o que exatamente estamos comemorando no Natal? A data é associada ao nascimento de Jesus Cristo, mas sua origem histórica é mais complexa do que muitos imaginam — e envolve religião, política, cultura e, nos tempos modernos, economia. O Natal, como o conhecemos hoje, não surgiu de forma imediata nem exatamente da maneira como é retratado nas celebrações atuais. A construção dessa data levou séculos. Do ponto de vista histórico, não há consenso de que Jesus tenha nascido em 25 de dezembro. Os próprios textos bíblicos não indicam um dia específico para o nascimento de Cristo. Nos Evangelhos do Novo Testamento — Mateus, Marcos, Lucas e João — o nascimento é narrado, mas sem qualquer referência a data, mês ou ano exato. O Antigo Testamento, por sua vez, obviamente não aborda o Natal, já que seus textos antecedem o nascimento de Jesus.

A escolha do dia 25 de dezembro aconteceu séculos depois. Registros históricos indicam que a data começou a ser oficialmente celebrada pela Igreja Cristã por volta do século IV, durante o Império Romano. Naquele período, Roma comemorava festas pagãs ligadas ao solstício de inverno no hemisfério norte, como a Saturnália e o “Dies Natalis Solis Invicti”, o dia do nascimento do Sol Invencível. Essas celebrações marcavam o fim dos dias mais curtos do ano e o retorno gradual da luz solar. Ao adotar o 25 de dezembro como data do nascimento de Cristo, a Igreja encontrou uma forma estratégica de cristianizar festividades já populares entre os romanos, facilitando a aceitação do cristianismo em uma sociedade que ainda mantinha fortes tradições pagãs. Assim, o Natal não foi exatamente “criado”, mas incorporado e ressignificado. O próprio nome “Natal” vem do latim natalis, que significa nascimento. Em diferentes idiomas, essa origem permanece evidente: Natale em italiano, Noël em francês, Navidad em espanhol. A ideia central sempre foi o nascimento — não apenas de uma figura histórica, mas de um símbolo de esperança, renovação e salvação para os cristãos. Do ponto de vista religioso, muitos estudiosos defendem que Jesus provavelmente nasceu entre os meses de março e setembro, com base em descrições bíblicas como a presença de pastores nos campos durante a noite, algo improvável no rigor do inverno da Judeia. Ainda assim, para a fé cristã, a data exata perde importância diante do significado espiritual atribuído ao evento. Com o passar dos séculos, o Natal ultrapassou os limites da religião e se tornou um fenômeno cultural global. Elementos como a árvore, o Papai Noel, as trocas de presentes e a decoração surgiram de tradições europeias, sobretudo germânicas, e foram sendo incorporadas ao imaginário coletivo. O Papai Noel, por exemplo, é inspirado em São Nicolau, um bispo conhecido por ajudar os pobres, mas ganhou sua aparência atual apenas no século XIX, impulsionado por ilustrações, literatura e, mais tarde, campanhas publicitárias. É nesse ponto que o Natal passa a exercer forte influência sobre o comércio e o marketing. Hoje, a data é uma das mais importantes para a economia mundial. No Brasil, dezembro representa um dos períodos de maior faturamento para o varejo, impulsionado pelo pagamento do 13º salário, pelas confraternizações e pela tradição de presentear. Campanhas publicitárias exploram emoções como nostalgia, união familiar, solidariedade e esperança — sentimentos diretamente associados ao imaginário natalino. O Natal movimenta setores como alimentação, vestuário, eletrônicos, turismo e serviços. Para o comércio, é um período decisivo, capaz de definir o fechamento positivo ou negativo de um ano inteiro. Para o consumidor, é um momento que mistura alegria, expectativa e, muitas vezes, pressão financeira. Mas, para além dos números e das vitrines iluminadas, o Natal mantém um peso emocional significativo. É uma data que simboliza recomeços, reconciliações e o desejo coletivo de que o próximo ano seja melhor. Mesmo entre pessoas que não seguem a tradição cristã, o Natal permanece como um convite à convivência, à generosidade e à reflexão. Assim, o Natal que se celebra hoje é resultado de uma longa construção histórica. Não é apenas uma data bíblica, nem apenas uma estratégia comercial. É um encontro entre fé, cultura, tradição e mercado — um reflexo da própria sociedade ao longo do tempo. Entender sua origem ajuda a compreender por que, mesmo após tantos séculos, dezembro continua carregado de significados que vão muito além do calendário.

Comentários

    Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.

Deixe seu comentário


Nossas Redes Sociais

88 FM
AO VIVO

Rádio 88 FM © 2026 - Todos os direitos reservados.