
Operador 88
O Brasil registrou um aumento alarmante nos casos de coqueluche em 2024, especialmente entre crianças menores de 5 anos. De acordo com o Observatório de Saúde na Infância, o número de notificações cresceu mais de 1.200% em relação aos anos anteriores, totalizando 2.152 casos — número superior à soma registrada nos últimos cinco anos. Entre os infectados, 665 precisaram de internação hospitalar e 14 morreram em decorrência da doença, superando o total de óbitos registrados entre 2019 e 2023. A maior parte das ocorrências envolve bebês com menos de um ano de idade, faixa etária mais vulnerável à infecção. A coqueluche, provocada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa que pode ser prevenida pela vacinação. O esquema de imunização inclui a vacina pentavalente, aplicada em três doses nos primeiros meses de vida, e a DTPa, destinada às gestantes para proteger o bebê ainda na gestação. Embora o país tenha alcançado, em 2023, uma cobertura vacinal superior a 90% entre bebês e 86% entre gestantes, a coordenadora do Observatório, Patrícia Boccolini, alerta para as desigualdades regionais. Segundo ela, médias nacionais elevadas mascaram municípios com baixa adesão à vacina, o que facilita o ressurgimento da doença. O cenário brasileiro reflete uma tendência mundial. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informou que, apenas em 2025, nove países das Américas já notificaram mais de 18 mil casos e 128 mortes por coqueluche em diferentes faixas etárias, o que reforça a necessidade de vigilância e ampliação das campanhas de imunização.
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