
Operador 88
Uma pesquisa realizada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em parceria com o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), mostra que a exclusão digital no Brasil continua sendo reflexo direto da desigualdade social. O levantamento aponta que o tempo sem acesso à internet móvel, em razão do fim da franquia de dados, é um dos principais obstáculos enfrentados pelos consumidores de baixa renda. Entre aqueles que vivem com até um salário mínimo, 35% relataram ter ficado uma semana ou mais sem internet nos 30 dias anteriores à pesquisa. O mesmo índice foi registrado entre pessoas que recebem de um a três salários mínimos. A situação é ainda mais crítica para os mais pobres: 11,6% passaram mais de 15 dias desconectados, número quase seis vezes maior do que o observado nas camadas com renda acima de três salários mínimos (2,2%). Outro ponto destacado pelo estudo é o peso da publicidade no consumo de dados. Mais da metade dos entrevistados, independentemente da renda, disseram que anúncios em vídeo aparecem com muita frequência, contribuindo para o esgotamento do pacote de internet. A disparidade também se estende à compra de aparelhos celulares. Enquanto 51% dos que recebem até um salário mínimo utilizam smartphones com valor inferior a R$ 1 mil, nas faixas de renda mais altas predominam os dispositivos de maior custo, revelando como a barreira financeira limita o acesso a equipamentos mais modernos. Os dados reforçam que o acesso à internet no Brasil não depende apenas da cobertura das operadoras, mas também da capacidade econômica dos cidadãos, o que amplia as desigualdades já existentes no país.
Comentários