O falecimento do professor de História Carlos Eduardo Meira Batista, conhecido como Kadu, de 29 anos, no último domingo (31), em Recursolândia, no Tocantins, tem provocado indignação e levantado questionamentos sobre as condições de trabalho enfrentadas por educadores na rede pública. Natural de Brumado, na Bahia, Kadu havia assumido a docência na Escola Estadual Recurso I em janeiro deste ano e recentemente havia conquistado a efetivação pela Secretaria da Educação do Tocantins (Seduc). A morte do jovem, causada por um infarto, trouxe à tona relatos de que ele vinha enfrentando dificuldades no ambiente escolar. Documentos mostram que Kadu solicitou três vezes a transferência de unidade, apresentando laudos médicos que apontavam a necessidade de acompanhamento de saúde fora da cidade. Dois pedidos não avançaram, e o terceiro, finalmente aprovado, teria efeito oficial apenas no dia seguinte à sua morte. Colegas relatam que o professor vinha sofrendo pressão psicológica no trabalho, que incluía episódios de assédio moral, desrespeito de alunos e até situações de agressão simbólica em sala de aula. Amigos próximos afirmam que o estresse levou Kadu a iniciar tratamento com medicamentos controlados, em razão de ansiedade e sobrecarga emocional. A notícia de sua morte abalou a comunidade escolar e abriu espaço para um debate urgente sobre a saúde mental dos professores e a carência de políticas de proteção e suporte a esses profissionais, que diariamente enfrentam jornadas exaustivas e, muitas vezes, hostis.
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