
Operador 88
O direito à educação, garantido constitucionalmente, tem sido colocado à prova diariamente para um grupo de jovens livramentenses que estudam no Instituto Federal da Bahia (IFBA), em Brumado. A travessia entre os dois municípios, que deveria ser um caminho seguro para o aprendizado, tem se transformado em uma verdadeira batalha contra a negligência do transporte escolar fornecido pelo setor de educação municipal. Segundo relatos dos próprios estudantes, o micro-ônibus disponibilizado para levá-los a Brumado está constantemente fora de operação, precisando de reparos frequentes que muitas vezes se mostram ineficazes. Quando o micro-ônibus não está quebrado, a alternativa oferecida são vans, popularmente chamadas de “peruas”, que não comportam todos os estudantes. Para resolver, é realizado um sorteio diário: parte dos alunos viaja em um dia, enquanto a outra parte espera até o dia seguinte. O resultado é uma rotina de perdas de conteúdos e dias letivos que comprometem o desempenho escolar e o futuro dos jovens. Em alguns casos, o veículo sequer consegue sair de Livramento antes de apresentar falhas mecânicas. O problema, além de educacional, é a segurança. Veículos constantemente quebrados colocam em risco vidas de estudantes que atravessam quilômetros todos os dias em busca de conhecimento. A situação desperta questionamentos sobre a gestão dos recursos na Secretaria Municipal de Educação. Apesar de o setor receber o maior volume de investimentos do município, recentes eventos promovidos com grande aparato e shows de artistas sugerem que as prioridades podem estar equivocadas. O contraste entre gastos grandiosos em celebrações e a precariedade do transporte educacional é evidente. Diante desse cenário, a pergunta que ecoa entre alunos e familiares é clara: por que, com recursos disponíveis, a Secretaria de Educação mantém veículos inadequados, recorrentes em falhas, enquanto vidas e educação são colocadas em risco? É hora de cobrar soluções concretas, transporte seguro e respeito ao direito fundamental desses jovens de estudar sem interrupções e com dignidade. Esta situação justifica, assim como muitas outras, o porquê do ensino escolar da Bahia ter tido tantos déficits nas análises realizadas. O resultado é um reflexo da baixa valorização estudantil, principalmente no interior do estado.
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