
Operador 88
O município de Livramento de Nossa Senhora, no sudoeste baiano, vive um cenário paradoxal: após sediar uma das maiores festas juninas da Bahia, com mais de 40 dias de programação e dezenas de atrações musicais com altos cachês, a cidade agora lida com os impactos severos da seca que castiga comunidades rurais e levou à decretação de estado de emergência. Embora a prefeitura tenha divulgado um investimento de R$ 3,7 milhões nos festejos, documentos públicos analisados por diferentes fontes apontam que os custos totais podem ter ultrapassado R$ 6 milhões, somando despesas com infraestrutura, logística, divulgação e pagamentos de artistas. As informações são do site L12 Notícias. Ao mesmo tempo, localidades como Iguatemi, São Timóteo e Itanagé enfrentam dificuldades para garantir o acesso à água potável, dependendo da distribuição por meio de carros-pipa. O Decreto Municipal nº 052/2025, publicado ainda em janeiro, reconheceu a gravidade da estiagem, classificada como desastre de Nível II, com prejuízos ambientais, sociais e econômicos significativos. A situação foi homologada pelo governo estadual e reconhecida pelo governo federal, permitindo o encaminhamento de recursos emergenciais para a região. A administração municipal defende que a festa movimenta a economia local e fortalece a identidade cultural da cidade. No entanto, diante da crise hídrica que se agrava, a disparidade entre os gastos com entretenimento e as necessidades básicas da população tem gerado críticas e levantado debates sobre a gestão de prioridades e a sustentabilidade dos investimentos públicos. Enquanto busca apoio dos governos estadual e federal para enfrentar os efeitos da seca, Livramento encara o desafio de conciliar tradição e desenvolvimento com responsabilidade social, garantindo que a celebração popular não se sobreponha às demandas mais urgentes da população.
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