
Marcos Oliver
Comemorado oficialmente desde 05 de junho de 1973, o Dia Mundial do Meio Ambiente tem como foco, neste ano, a urgente necessidade de combater a poluição plástica — responsável por sufocar ecossistemas, agravar as mudanças climáticas e comprometer a saúde humana. A data, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e reforçada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), traz uma mensagem clara: é preciso agir agora. Em Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, a reflexão proposta pelo tema global se encontra com problemas ambientais locais graves, que colocam em risco não apenas o meio ambiente, mas também a qualidade de vida da população. Na cidade, o que se vê com frequência são cenas alarmantes de queimadas, muitas delas provocadas intencionalmente, que destroem vegetações inteiras e colocam em risco a saúde da população. A fumaça toma bairros, prejudica crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios, além de causar danos à fauna e à flora local. Outro ponto crítico é o descarte irregular de lixo. Materiais plásticos são encontrados com facilidade em terrenos baldios, ruas e áreas próximas a rios e riachos. A ausência de fiscalização e de uma política mais efetiva de educação ambiental contribui para que a prática se perpetue, mesmo diante de suas consequências diretas no solo, na água e na biodiversidade. A situação do saneamento básico também é alarmante. Em diversos bairros de Livramento, moradores convivem diariamente com esgoto correndo a céu aberto. A poluição do solo e a contaminação de águas subterrâneas são apenas algumas das consequências desse descaso, que também expõe a população a riscos sanitários constantes. O desperdício de água potável é mais uma ferida ambiental visível. Ruas inteiras convivem com vazamentos persistentes de água tratada, que escorre por calçadas e sarjetas durante dias, semanas ou até meses. A empresa responsável pelo abastecimento, a EMBASA, tem sido alvo constante de críticas pela demora nas ações de reparo e pela reincidência dos mesmos problemas, mesmo após consertos recentes. Enquanto isso, a Barragem Luiz Vieira, principal fonte de abastecimento da cidade, opera com menos da metade de sua capacidade, em um momento crítico de estiagem prolongada e de liberação constante de água para irrigação agrícola. O contraste entre a realidade local e as diretrizes globais chama atenção. Em sua declaração oficial, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que “a poluição plástica está sufocando nosso planeta”, e que os efeitos, embora muitas vezes invisíveis, são devastadores. Em Livramento, essa “asfixia” ambiental se materializa não só nos plásticos que entopem bueiros e córregos, mas também na fumaça das queimadas, no cheiro do esgoto e na água limpa desperdiçada diariamente. Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, o chamado à reflexão precisa ir além da simbologia da data. É urgente que autoridades locais, empresas responsáveis, entidades civis e a própria população assumam responsabilidades concretas. A preservação ambiental começa com ações simples, mas precisa de compromisso e vontade política para acontecer. Livramento de Nossa Senhora tem potencial para ser exemplo, mas, para isso, precisa primeiro enfrentar suas próprias urgências ambientais com seriedade e ação.
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