
Marcos Oliver
A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de elevar novamente a taxa básica de juros (Selic) coloca em alerta consumidores e especialistas quanto ao impacto no endividamento das famílias brasileiras. Agora no maior patamar desde setembro de 2023, a Selic encarece o crédito e reforça o cenário de incerteza econômica, ao mesmo tempo em que sinaliza possíveis ajustes adicionais nos próximos meses. Embora o país tenha registrado um período de prosperidade econômica, com 13 trimestres consecutivos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) até o terceiro trimestre de 2024, especialistas alertam que a conjuntura pode mudar. Esse ciclo positivo, impulsionado pelo aquecimento do mercado de trabalho e pelo aumento do consumo das famílias, pode ser afetado pela política monetária mais restritiva. Segundo Merula Borges, da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o aumento dos juros é uma medida tradicional para frear a inflação, ao desestimular o consumo e equilibrar os preços.
No entanto, tal estratégia não vem sem consequências: o crédito, fundamental para o consumo, tende a se tornar menos acessível e mais caro. Outro ponto de preocupação são as incertezas em torno das contas públicas, que têm influenciado as expectativas sobre a inflação e, consequentemente, as ações do Banco Central. Para Fernando Lamounier, especialista em finanças, a alta da Selic pode pressionar ainda mais o orçamento das famílias, limitando a capacidade de pagamento e potencialmente ampliando os índices de inadimplência. Apesar de o mercado de crédito ter se mantido aquecido recentemente, com concessões em alta, a perspectiva para os próximos meses é de maior restrição e dificuldades no acesso ao financiamento. Nesse contexto, os consumidores devem redobrar a cautela no planejamento financeiro, priorizando o controle de gastos e o uso consciente de recursos. A trajetória da Selic reforça a importância de um equilíbrio fiscal e de medidas que favoreçam a sustentabilidade econômica, ao mesmo tempo em que destaca os desafios que o Brasil enfrenta para manter o crescimento sem comprometer o poder de compra e a estabilidade financeira das famílias.
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