
Operador 88
Mais de 60% das unidades prisionais da Bahia enfrentam superlotação, agravando a segurança e as condições no sistema carcerário do estado. Um dos exemplos mais alarmantes é o Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul, onde 16 detentos fugiram na última quinta-feira (12). Até esta quarta-feira (18), nenhum deles foi recapturado. Dos 27 presídios baianos, 18 estão operando acima da capacidade. O sistema oferece 10.954 vagas para uma população carcerária de 13.604 presos, excedendo em 2.650 o limite máximo. Unidades como a Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, abrigam 1.409 internos, 509 a mais do que a capacidade projetada.
Situação ainda mais crítica é encontrada no Conjunto Penal de Teixeira de Freitas, que opera com praticamente o dobro de sua capacidade: 608 detentos em um espaço para 316. Segundo o Sindicato dos Policiais Penais, o número insuficiente de agentes penitenciários é um fator crítico para a segurança das unidades. O presidente da Comissão de Sistema Prisional da OAB-BA, Reivon Pimentel, reforçou que a superlotação compromete as condições de trabalho e a gestão dos presídios, além de colocar em risco agentes e detentos. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) reconhece que a superlotação é um problema nacional e afirma estar trabalhando para ampliar a capacidade prisional. Entre as medidas, destacam-se obras em andamento na Colônia Penal Lafayete Coutinho, no Complexo da Mata Escura, e no Conjunto Penal de Feira de Santana, que devem criar 712 novas vagas até o primeiro trimestre de 2025. A invasão ao presídio em Eunápolis foi executada por oito homens armados que abriram fogo contra agentes para facilitar a fuga de 16 internos. Durante as buscas pelos fugitivos, três suspeitos de envolvimento na ação morreram em confrontos com a polícia, enquanto outros dois foram presos. A polícia apreendeu armas, drogas, rádios comunicadores e uma granada durante as operações. O episódio evidencia a fragilidade do sistema prisional da Bahia, que, além da superlotação, enfrenta desafios relacionados à segurança e à capacidade operacional, destacando a necessidade de medidas estruturais e emergenciais para evitar novas crises.
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