
Operador 88
O padre José Eduardo de Oliveira e Silva, da Diocese de Osasco, Grande São Paulo, figura entre os 37 indiciados pela Polícia Federal (PF) no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado ocorrida em janeiro do ano passado. O relatório, que ultrapassa 800 páginas, foi finalizado na tarde de quinta-feira (21) e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Conhecido por suas manifestações públicas em redes sociais sobre temas como guerra cultural, aborto e crítica à influência de músicas e figuras pop, o religioso é apontado pela PF como integrante do núcleo jurídico da suposta articulação golpista. Segundo as investigações, ele teria auxiliado na elaboração de documentos com embasamento jurídico e doutrinário que sustentassem interesses contrários à ordem democrática. Um ponto central do inquérito é a participação do padre em uma reunião ocorrida em 19 de novembro de 2022, no Palácio do Planalto. De acordo com os registros de entrada e saída, ele esteve presente ao lado de outros investigados, como Filipe Martins e Amauri Feres Saad.
O encontro, segundo a PF, teria sido convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para discutir a instalação de um regime de exceção constitucional, envolvendo militares de alta patente. A operação Tempus Veritatis, realizada em fevereiro deste ano, já havia colocado o padre no radar da PF. Na ocasião, ele foi alvo de medidas cautelares, como a entrega de seus passaportes e a proibição de contato com outros investigados. Este caso ressalta o avanço das investigações que cercam os episódios relacionados à tentativa de ruptura democrática no Brasil, ampliando o espectro de indiciados para incluir não apenas políticos e militares, mas também figuras religiosas e influenciadores ideológicos.
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