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Fala do Jornalista Raimundo Marinho

  • Por Redação do Jornal da 88

  • 23.Jun.2023 // 00h00

  • Geral

Fala do Jornalista Raimundo Marinho

Jornalista RAIMUNDO MARINHO
Transcrição adaptada da fala na Rádio 88 FM –23.06.2023

São João Batista Hoje é véspera de São João! Em Livramento, o ponto central da festa era em Curralinho, hoje Dom Basílio, onde o santo é padroeiro. Com a emancipação política do distrito (1962), o centro da festa, em Livramento, passou para a Rua do Areião, onde há uma igreja em louvor ao santo, mandada construir, devido a uma promessa, por João de Zinha, entre os séculos 18 e 19. Mas a tradição religiosa vem sendo sufocada, com apoio da Prefeitura e aplausos gerais, pelos eventos mundanos, cuja barulheira tira a tranquilidade necessária a um local de oração. Divulga-se mais o lado profano da festa do que a programação dos atos religiosos.  

Nasceu por milagre Segundo o Novo Testamento, João Batista nascera por milagre, em Israel, para preparar a vinda de Jesus. Seus pais Zacarias e Isabel eram idosos, sem condições de procriação. Mas, como relata o evangelista Lucas, Deus enviou o arcanjo Gabriel para dizer a Zacarias que sua esposa teria uma criança, a ser chamado João. Zacarias duvidou e perdeu a voz, mas ao saber que o filho teria o mesmo nome que o seu, ficou aflito e escreveu que tinha de ser João. E volta a falar! Isabel e Maria eram primas, e combinaram que quando João nascesse Isabel acenderia uma fogueira para avisar! Essa teria sido a origem das fogueiras de São João, que são acesas ainda hoje!

O profano domina João Batista não nasceu santo, claro! Foi um ser comum, só que consagrado a Deus, dando a vida para ensinar o Caminho Divino. Batizava o povo, por isso foi apelidado de Batista, aquele que batiza. Deu a certeza da vinda de Jesus e o batizou no Rio Jordão. João jogou duro na defesa da fé e da moral. Não poupou nem o rei Herodes Antipas, pela vida desregrada. O evangelho de Marcos diz que Salomé, filha de Herodíades, encantara o rei em uma dança e ele prometeu dar-lhe o que pedisse. Ingênua, a menina pede sugestão à mãe, e Herodíades, alvo das censuras de João, manda a filha pedir a cabeça do profeta, numa bandeja. Na hora, Herodes ficou frio e pálido, mas atendeu. João foi degolado, na prisão - 1º mártir da Igreja. Infelizmente, o som profano dos festejos juninos impede que se ouçam as reflexões sobre o grito de João, e os cânticos em seu louvor, na igrejinha do sítio histórico da Rua do Areião.

Para refletir Adaptei para refletirmos hoje, véspera de São João, texto do saudoso poeta e jornalista piauiense, Mário Faustino, que diz: “Abrindo a porteira das minhas saudades, ali, longe da cidade, vejo a velha casa. Ninguém na varanda, ninguém na soleira. Luz apagada, porta fechada, lua no céu afastando as nuvens, surgindo tão bela. Lua que procura as janelas querendo adentrar. Mas qual e quem afinal vai girar as tramelas, tirar as trancas? Quem das lembranças? Jardim descuidado, aqui e acolá! Flor e mato, erva daninha! Ensimesmado, divago, busco e trago, abrindo as cortinas do tempo passado, recrio e revivo as antigas cenas daquele espetáculo, a luz se acende, a porta se abre, todos saem! Vovó Cotinha, o pai, a mãe, vovô João, tio Botinha, titia Donana, Quinzinho, Mariazinha! Inté a cachorra Cigana, a gata Belinha, e as crianças da colônia vizinha! Todos, num só cordão, direto pro terreirão, todo enfeitado com bandeirinhas e balão”. 

“A sanfona sabe convidar todos para o meio do Salão! A música invade! Aguenta coração! Vozes e risos! Afoitos, felizes! A vida renasce! Gente que chega e já vai dançando: arrasta pé, rancheira! Folia a noite inteira! É junho, é festa! Quentão, anisete, chocolate, vinho quente, quindim e paçoca, pudim e pipoca, toscas de polvilho, e delicioso bolo de milho! Crianças pra todo canto, mesclando o espaço de encantos, com suas brincadeiras, corre-corre, pega-pega, roda-roda! Lá vem uma nova moda! Venham senhoras casadas, venham moçoilas solteiras! Dança também a Fogueira, altiva, forte, ligeira, bailando suas labaredas, lançando-as pro céu de estrelas. Na hora da quadrilha, chama alto o cantador! Toma seu par ou seu amor! Venha pai, venha mãe, venha família! Quanta emoção! Solta logo o rojão! Viva Santo Antônio, São Pedro e São João! Caminho da roça! Segue o passeio! Que doces lembranças...! Que tempinho bom! Ai meu Deus, nunca feche a porteira do meu coração!” E eu, para encerrar, digo: Viva São João!

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