
Marcos Oliver
Jornalista RAIMUNDO MARINHO
Transcrição adaptada da fala na Rádio 88 FM – 27.07.2022
Audiência cancelada Eu achava que a população não fosse para a audiência pública, de apresentação e discussão do PMSB (Plano Municipal de Saneamento Básico) de Livramento, marcada para o último dia 20, pela Prefeitura e Embasa, na Câmara Municipal. Mas foi pior, faltaram os organizadores, Prefeitura e Embasa. O evento foi adiado, sem qualquer aviso, a pedido da Funasa, que estaria analisando o plano! Desculpem, senhores, isso não depende da Funasa! É da competência dos municípios! E, se fosse o caso, para fins de financiamento, por exemplo, por que não resolveu antes de marcar a audiência? Afinal, o evento mobiliza instituições, administração e toda comunidade! Não pode haver esse desrespeito e desorganização! Sinal ruim, diante de assunto tão relevante! Falta de seriedade!
Escola para Iguatemi O prefeito Ricardo Ribeiro, de Livramento, declarou de “domínio público” área de 7 mil metros quadrados, no Distrito de Iguatemi, dizendo ser necessária a aquisição do terreno, para construção de uma escola. O decreto diz ser área pertencente ao município. Então, para que a declaração de domínio público? Fala que a finalidade é construir uma escola, sem citar a atual Escola David Mendes Pereira, parcialmente demolida, para uma reforma, paralisada há mais de ano! E os alunos convivem com os entulhos. Essa omissão, no decreto do prefeito, indica que a nova unidade poderá ter outro nome, desfazendo a homenagem a David Mendes Pereira! Isso aconteceu com a Escola Gil Ferreira, no bairro Estocada, que foi extinta, sem autorização da Câmara! Tudo dela, incluindo professores, foi para nova escola, com o nome do avô do prefeito, no bairro Barriguda.
Para refletir Ontem, foi Dia dos Avós, aqueles que fazem com os netos mimos que os pais não costumam fazer! Faz-me lembrar a rapadura mole, que minha vó materna me deixava comer, à vontade, do sótão da sua casa, que eu gostava de bisbilhotar, das suas visitas à minha mãe, para ver os netos, lá na roça, aonde ela ia, caminhando por mais de seis léguas. Lembro-me das suas longas saias de viúva, onde eu gostava de me deitar! Faz-me lembrar, também, da minha bisavó paterna, ao quem eu chamava de vó, pois a vó, foi para SP, e nunca mais voltou! Lembro-me do dia em que, criança, a vi subir em um pau-de-arara, para a longa viagem de imigrante nordestina! Enfim, são muitas as lembranças, algumas tristes, mas que a inocente alegria de criança não deixava sentir. Lembro-me, ainda, de um texto do escritor português José Saramago, para uma avó! Provavelmente a sua! Entre outras coisas, ele escreveu: Tu tens 90 anos, és velha, dolorida. Porém, fostes a mais bela no teu tempo de moça. Não sabes ler, tens mãos grossas e deformadas, pés encortiçados, carregaste muita lenha, na cabeça! Viste o sol nascer, todos os dias. E o tanto de pão que amassaste daria para um banquete universal. Criaste pessoas, gado! Contaste histórias de assombração, lobisomem e de família!
Tantas vezes engravidaste e deste à luz! Nada sabes do mundo, de política, economia, literatura, filosofia ou religião. Mas sabes as palavras práticas, em um vocabulário elementar. E vais vivendo! És sensível às catástrofes, nas também aos casos comuns, casamento de princesas! E até ao roubo dos coelhos da vizinha. Sente ódio, por motivos já esquecidos! Sabes alguma coisa da fome! Tens olhos claros, és alegre. Teu riso é um foguete de cores! Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne, do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não sabes o que é o mundo! Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, como quando nasceste: uma interrogação, um mistério! Aperto tua mão calosa, afago a tua face enrijada e teus cabelos brancos! Fostes bela e és inteligente! Mas o mundo continuará, sem ti - e também sem mim. Talvez não tenhamos dito ao outro o que mais importava. Fiquemos com essa culpa! Mas com a tranquila serenidade dos teus 90 anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida, certamente dirá: O mundo é tão bonito, e tenho muita pena de morrer! Beijo e abraços em todos os avós que nos ouvem!
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