
Marcos Oliver
Os dias intensos de negociação entre potências ocidentais e os russos não foram capazes de evitar um conflito. Na madrugada desta quinta-feira (24), a Rússia iniciou bombardeios que se espalharam por várias cidades da Ucrânia ao longo do dia, após quatro meses de crise com o Ocidente. Em pronunciamento feito às 5h45 (horário local), o presidente Vladimir Putin anunciou uma operação militar como forma de “proteger a população de Donbass”. No local, ficam duas repúblicas separatistas pró-Rússia (Donetsk e Luhansk), que foram reconhecidas como independentes pelo chefe do Kremlin nesta semana, em uma cerimônia de assinatura exibida pela televisão estatal. O avanço das tropas russas sobre o sudeste da Ucrânia gerou uma forte reação da comunidade internacional. Pelo Twitter, Volodímir Zelenski, presidente da Ucrânia, disse que está criando uma “coalização anti-Putin”. “Falei com Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia), Emmanuel Macron (presidente da França), Karl Nehammer (chanceler da Áustria) e Recep Tayyip Erdo?an (presidente da Turquia) sobre sanções concretas e assistência concreta para nossos militares. Estamos aguardando uma ação decisiva”, disse nas redes sociais.
O conflito que o mundo vê agora acontece em uma região ucraniana próxima da Rússia, que compunha a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Fernando Brancoli, professor de relações internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que a relação entre Rússia e Ucrânia começou a se desgastar mais após a dissolução da URSS. Isso porque, logo após a fragmentação da União em várias nações, os Estados Unidos decidiram agregar mais países à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e com isso, iniciou-se um debate para a entrada da Ucrânia no bloco. Este é o maior ataque de um país europeu contra outro do mesmo continente desde a Segunda Guerra; Putin justificou ação militar para proteger separatistas no leste e ameaçou quem tentar interferir. ONU pediu que ele recue e Biden disse que guerra será catastrófica.
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