
Operador 88
Na noite desta última quarta-feira (23), no auditório Dona Didi Azevedo, foi promovido pela Bethel Filhas de Jó, uma palestra em que foi discutido sobre violência doméstica e o impacto desta na sociedade. Para palestrar foram convidados a advogada Priscila Carvalho e o psicólogo Zeferino Neto.
O evento teve início às 19h30, e quem abriu a palestra foi o psicólogo Zeferino Neto, conhecido em Livramento como Zifa. Acompanharam a exposição dos palestrantes muitas adolescentes, professoras, mães e homens jovens e adultos. Nas palavras de Zifa, a violência contra mulher, na verdade, é uma violência de gênero, ou seja, a mulher sofre violência pelo fato de ser mulher numa reação de intolerância. Para o psicólogo, a importância de leis específicas, como a Maria da Penha, são de suma importância no intuito de dar aporte a mulher.
Zifa recorreu a exemplos históricos quando disse que a opressão faz parte de um modelo patriarcal de sociedade, a partir do momento em que a mulher era destinada ao casamento deixando a parte seu lado produtivo. Zifa evocou a filósofa existencialista Simone Beauvoir que historicamente questionou que o papel da mulher estava muito além se servir um homem e dedicar-se exclusivamente a um casamento.
Zifa disse ainda que a violência contra a mulher acontece por fatores culturais. Além do mais, o brasileiro não se reconhece como machista o que dificulta o processo de conscientização.
Já a advogada Priscila Carvalho falou de sua convivência no Centro de Referência de Assistência Social, o Creas. Priscila testemunhou que a violência doméstica é presente em muitos lares livramentenses. Para a advogada, existe uma naturalização da violência que a mulher sofre.
A advogada pontuou que os relacionamentos abusivos são grandes agravantes de violência doméstica. Priscila falou de feminicídio (que a morte da mulher por ser mulher), além de destacar o ciúme irracional que é gerador de violência.
Para finalizar, Priscila afirmou que a única forma de se evitar que relacionamentos abusivos acabam resultando em perdas de vidas, a solução é a conscientização e o encorajamento em fazer a denúncia.
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