
Operador 88
Uma cena chamou a atenção de pesquisadores que estiveram na praia do Goiabal, no município de Calçoene. É que pássaros que habitam essa região no extremo norte do litoral brasileiro estão usando lixo plástico que chega pelo Oceano Atlântico para a construção de seus ninhos. Os pássaros da espécie Japiim se alimentam no próprio litoral e costumavam usar cipós e pequenos galhos para a construção dos ninhos. No entanto, pesquisadores que estudam o impacto da ação humana ao longo do litoral amazônico identificaram recentemente que esses abrigos passaram a conter lixo marinho na composição - incluindo restos de redes de pesca. Os pesquisadores integram o projeto Observatório do Lixo Antropogênico Marinho (Olamar), que é financiado pelo CNPq e tem parceria com várias instituições: Museu Emílio Goeldi, ICMBio , Instituto de Pesquisa do Amapá (Iepa) e com as universidades federais e estaduais do Amapá (Unifap) e (Ueap), do Pará (UFPA), Maranhão (UFMA), e a Universidade de São Paulo (USP). O projeto também busca compreender a dinâmica e os efeitos do lixo marinho, além de caracterizar e avaliar a pesca fantasma, termo que se refere a equipamentos de pesca abandonados, perdidos ou descartados nos oceanos e que continuam a capturar animais. A pesquisa também abrange os litorais do Pará e do Maranhão. Para o levantamento no Amapá, o projeto selecionou 40 pontos de amostragens ao longo do litoral do estado, entre os municípios de Calçoene e Amapá, entre eles a praia do Goiabal onde foram documentados os "ninhos de plástico". A região, que tem acúmulo de lixo marinho, é rota marítima e pesqueira.