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Fala do Jornalista Raimundo Marinho

  • Por Redação do Jornal da 88

  • 19.Jun.2023 // 00h00

  • Geral

Fala do Jornalista Raimundo Marinho

Jornalista RAIMUNDO MARINHO
Transcrição adaptada da fala na Rádio 88 FM – 19.06.2023

Irrigação corre perigo O canal revestido que leva água para o Perímetro Irrigado Brumado do DNOCS, em Livramento, apresenta suspeita de infiltração, que pode causar ruptura, por falta de manutenção. O alerta é do vereador Josemar Miranda, feito na Câmara, 6ª feira (16/6). Eu estive lá, ontem, e também achei que a situação, de fato, requer uma perícia técnica, para a devida prevenção. Afinal o canal é da década de 1980. O vereador perturbou-se tanto que propôs aos usuários a pedirem intermediação de deputados em troca de votos! Coisa horrorosa! Antes, porém, é preciso responsabilizar e cobrar ação de quem tem o dever de cuidar do canal, que eu soube ser a ADIB (Associação do Distrito de Irrigação do Brumado).

Bate-barba na Câmara Os eleitores de Livramento precisam ir à Câmara ver espetáculos como o da última 6ª feira (16), quando a sessão teve de ser encerrada, devido à altercação entre dois nobres colegas. Altercação é a palavra difícil que significa briga, bate-boca, bate-barba etc. Foi entre suas excelências Josemar Miranda e Joaquim da Silva. Zemar criticou a infraestrutura da festa junina da Rua do Areião, citando falhas como a falta de sanitários químicos, expondo moradores a constrangimentos e ao mau-cheiro. Joaquim não gostou e quis ensinar o colega a elogiar o prefeito pela parte boa da festa. Zemar reagiu e o pão quebrou! O presidente precisou encerrar a sessão, enquanto a quizila seguia sem microfones.

Novo tipo de água É vergonhoso que políticos em Livramento, como o vereador Joaquim da Silva e outros, insistam em pongar em obra do governo estadual, como a adutora que levou água para o Distrito de Iguatemi, esperada ao longo dos anos. O mérito, justiça seja feita, é exclusivo do então governador Rui Costa. Para agravar, o vereador, pela alfabetização incompleta, mudou a natureza da água, de “potável” para “portável”. Não preparou a fala! Ao dizer que levou água “portável” para uma comunidade da região, usou expressões pedantes e enganosas como “minha região”, “consegui junto à Cerb”, “sou um dos pioneiros para o projeto de água para Iguatemi”. Muita cara de pau!

Para refletir Nunca gostei de falar de mim, a não ser comigo mesmo! Mas hoje, abro uma exceção! 19 de junho é o dia em que nasci (1949), lá se vão tantos anos! Muitas experiências a compartilhar! Uma das raras vezes em que falei de mim foi numa entrevista para a menina Yasmin (2018), como tarefa escolar dela (Escola Humberto Leal, Livramento). Começou por onde eu nasci. Cheguei a esse mundo, numa casinha muito pobre, de chão batido, em Itaguaçu, filho de D. Maria e Seu Humberto. Sou o 2º de 10 irmãos, e o 3º de mais de 20 gestações. Vivi na zona rural até os 21 anos, quando fui para Salvador. Respondi à menina que a infância foi boa, mesmo na extrema pobreza, trabalhando na roça, desde os sete anos, enfrentando cobras, verminose, água contaminada, chifrada de bois, coice de cavalos, queda de árvore etc. Pela manhã, era na escola e na roça à tarde. Meu pai não abria mão disso! A inocência nos protegia das preocupações, sem nos alienar, sob a proteção de nossos pais, que nos formaram na união, honestidade e caráter firme, sem abaixar a cabeça para nada e ninguém!  

Yasmin não soube que chorei quando li a entrevista, depois, ao lembrar, por exemplo, que a comida era racionada, só tínhamos duas mudas de roupas, uma “para trabalhar” e outra “para sair”. As dificuldades tornaram inabalável em mim a disposição para estudar, sob as mais precárias condições, pois era a única maneira de melhorar de vida.  “Onde dormia?”, pergunta ela! Não foi fácil responder! Dormia no chão, em esteira de palha e cobertor de pano de saco, emendado pela minha mãe. Depois, evoluiu para um girau de tábuas. Para piorar, eu urinava enquanto dormia! Cama de verdade, mas sem colchão, só a partir dos 18 anos de idade. Yasmin pergunta sobre o 1º brinquedo! Não tinha brinquedo, a gente improvisava “cavalo de vara” e “bois de sabugo”. Minha 1ª escola, aos sete anos, com a prof.ª Marlene, foi no Piçarrão, perto do Curtume, na casa de Seu Nedino. Terminei a alfabetização na escola do Recreio (1956), com a prof.ª D. Maria. Ginasial e Pedagógico (1964-1970) foram no CJVB (Colégio João Vilas Boas). Por fim, as faculdades de Educação, Jornalismo e Direito (1971-1983). 

E Yasmin seguiu perguntado: Tomava banho no rio, bacia ou alguma antiguidade? Não se tomava banho, respondi! Malmente se lavava mãos, pés e rosto, em bacias, gamelas, regos, lagoas etc., para tirar a lama e ou a terra da roça. Nunca me deixei afetar por nada, e minha mãe me ensinou a rezar e ter fé em Deus. A roça era como um campo de concentração, mas não me desanimei! Fé e determinação sempre me guiaram! Aproveitei ao máximo as oportunidades que Deus me deu, impulsionadas, no início, por meu pai e minha mãe. Algumas pessoas generosas me ajudaram na caminhada. Iniciei com os pequenos passos ao meu alcance: aprendi a ler, fiz Primário, Ginásio e, finalmente, Professor Primário, tudo sem deixar de ajudar meu pai, na roça. Em seguida, fui para a cidade grande, onde também trabalhei e estudei, ao mesmo tempo. 

Yasmin perguntou muita coisa, mas vou encerrar com a pergunta que achei mais engraçada e também mais séria (acho que alguém soprou para ela): “Você teve quantas mulheres até hoje”? Em resumo, respondi: “Ao longo dos anos, algumas boas filhas de Deus gostaram de mim, e me ajudaram muito, assim como também procurei ajudá-las. Entramos e saímos na vida uns dos outros, como quis o Plano de Deus”. Fábio de Melo não existia, mas tanto eu como aquelas filhas de Deus aplicamos, conscientes, o que esse padre ensinou depois: “Não traga de volta para sua vida quem Deus tirou”. Finalizando, aos que de alguma forma sofrem, impacientes, digo: “Procurem recuperar a força por acaso perdida, lembrando que, na fração de tempo, ainda que mínima, do ‘vai e vem’ do chicote, as costas sentem alívio. Não desperdicem, resmungando nem chorando, esse precioso intervalo. Nele, muito pode ser feito ou pensado! Foi em semelhante fração de tempo que Dimas, o bom ladrão, conquistou o paraíso!”. Pensem nisso!

 

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