
Operador 88
Jornalista RAIMUNDO MARINHO
Transcrição adaptada da fala na Rádio 88 FM – 14.12.2022
Povo quer saber Da série “Perdeu, Mané“, a frase da semana foi “Missão dada, missão cumprida”, dita na solenidade de diplomação, dia 12, pelo ministro Benedito Gonçalves, corregedor-geral do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), chamado para conduzir o eleito ao plenário da Corte. Ao passar por trás das pessoas sentadas à mesa, ele cochichou a frase para Luís Inácio da Silva e Alexandre de Moraes, captada pelos microfones. Qual seria a tal missão? Eis a grave questão! Na posse de Alexandre, no TSE, em agosto deste ano, Benedito também cochichou algo para Luís Inácio, que retribuiu com tapinhas no rosto do juiz, revelando certa intimidade. Lembrando, ainda, que foi Benedito quem proibiu Jair Bolsonaro de usar, na propaganda eleitoral, a própria imagem de sua participação nos atos do sete de setembro, data da Independência do Brasil.
Diploma de eleito Ainda no ato da diplomação, a fala do presidente da Corte, Alexandre de Moraes, juiz coordenador do processo eleitoral, foi considerada mais política que a do próprio político eleito. Moraes ameaçou punir manifestantes que ele achar que atacaram a democracia! Absurdo um juiz dizer isso, ainda mais um juiz de tribunal superior, sem haver previsão legal para tal punição. Um magistrado não pode fazer nenhum tipo de julgamento antecipado, sem o devido processo, que não pode ser da iniciativa do julgador. Vale citar, ainda, que a diplomação foi antecipada, pelo ministro, que se recusou a ordenar a apuração das apontadas anomalias na eleição, favorecendo o eleito, tirado da prisão para ser candidato, mesmo tendo graves pendências processuais.
Campeonato rural O campeonato rural de futebol, em Livramento, foi considerado um sucesso, talvez um dos mais importantes da Bahia. Mas expôs, ainda mais, o descaso da Prefeitura e da Liga Desportiva para com a principal praça esportiva do município, o Estádio Dr. Edilson Ribeiro Pontes, onde foram realizados os jogos finais do torneio. Foi constrangedora, por exemplo, a situação do prefeito Ricardo Ribeiro, procurando onde se sentar, no dia da final do torneio, quando não pode ocupar a tribuna de honra, que se encontra ameaçada de desabar. Os vestiários e sanitários, também em estado lastimável, também foram interditados. Parte do muro do campo desmoronou e foi escondida com um tapume. A assistência médica aos atletas foi improvisada, após o dia em que dois atletas ficaram caídos no campo, sem socorro. Isso é inaceitável numa cidade do porte de Livramento, e com a grandeza desse campeonato rural.
Asfalto com sabão A Prefeitura de Livramento divulgou um comunicado enviesado com o título “Água e sabão, buraco no chão”. Diz que água com produtos de limpeza destrói a pavimentação asfáltica, afirmando que asfalto é feito de petróleo, que não pode se misturar com os citados produtos. E orienta as pessoas a não jogar essa água na rua, prometendo fiscalizar, com base no art. 152 do Código de Postura do Município. Então, podemos considerar que o vereador Josemar Miranda estaria certo, ao dizer, em uma sessão da Câmara, que o asfalto da nossa cidade parece ser de açúcar ou de sonrisal. E, como o pessoal da prefeitura teve o cuidado e a brilhante ideia de ler o Código, que aplique, também, a parte que proíbe, por exemplo, a obstrução de vias públicas com cadeiras e entulhos, que manda limpar e murar terrenos baldios, que exige padronização e nivelamento de calçadas, e vários outras normatizações urbanas.
Para refletir Vi a foto comovente do menino, de nove anos, levando, nas costas, outro de cinco anos, morto, para ser cremado, durante a guerra, no Japão, em 1945. A imagem corre o mundo, até hoje, como a de Kim Phuc, também de nove anos, queimada pela bomba de napalm, na guerra do Vietnã (1959-1975), e a do menino sírio, Alan Kurdi, três anos, que morreu no mar e surgiu numa praia da Turquia (2015), ao tentar migrar com a família, para a Europa, fugindo da guerra e da fome. A foto do menino japonês, carregando um cadáver, ilustra uma frase famosa, que é também título de uma musica e gerou controvérsias. Mas, independente de polêmicas, consta que o menino foi abordado por um soldado, que o aconselhou a se livrar do corpo morto, por ser muito pesado para ele, tão pequeno. Mas a criança respondeu: “Ele não é pesado! Ele é meu irmão”. O soldado, geralmente de nervos duros, chorou! Em resumo, o retrato e, principalmente a frase, dita por um inocente, em plena guerra, tem um significado inquietante, que deixo para reflexão de todos! É necessário aprendermos a ter esse sentimento, tão profundo, para com nossos semelhantes, nossos irmãos, elevando nosso espírito e promovendo a paz social! Pensem nisso!
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