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Fique por dentro de ações individuais que ajudam na preservação do planeta

  • Por R7

  • 12.Nov.2021 // 00h00

  • Geral

Fique por dentro de ações individuais que ajudam na preservação do planeta

Consumo inteligente de alimentos, transportes e energia são essenciais para reduzir a emissão de gases do efeito estufa.

A COP26 — cúpula da ONU sobre mudanças climáticas — trouxe mais uma vez à tona o debate sobre como a humanidade pode conviver com a natureza sem destruí-la. Ainda que as discussões na conferência e os acordos internacionais sejam entre nações, cada pessoa pode também tomar atitudes individuais no dia a dia para ajudar a frear os impactos do consumo ao meio ambiente.

O site R7 entrevistou três especialistas de áreas como energia, reciclagem e gestão ambiental e todos afirmaram que para termos avanços significativos contra o aquecimento global será preciso a união dos cidadãos, empresas e governos.

Alimentação e vestuário:

O Dr. André Godoi, coordenador de engenharias da Universidade Estácio de Sá em São Paulo, destaca que o gás metano emitido pelo gado, por exemplo, pode ser reduzido caso produtores mudem as rações usadas na alimentação do rebanho. Para ele, cortar o consumo de carne traria outros prejuízos para a sociedade.

“Existe uma cadeia financeira em cima do agronegócio que vai trazer, de repente, um desequilíbrio nas finanças do país e dos estados que mais produzem carne. Acredito que seria um bom equilíbrio se lá na ponta o produtor de carne tivesse um cuidado maior com rações que não causasse tantas flatulências para o gado.”

Godoi acrescenta que atualmente os consumidores buscam conhecer mais a origem dos alimentos, o que torna vital para empresas e produtores a criação de formas de informar ao público qual o caminho que a carne percorre até chegar às prateleiras do mercado.

“[O consumidor pode] ver se a embalagem tem um QR code com todo o processo de produção, o manuseio de animais em relação ao conforto e o que a empresa faz para reduzir os impactos ambientais.”

Outra dica que Godoi dá é conhecer a origem das roupas que vestimos, dando preferência para as que carregam as etiquetas ecofriendly, termo em inglês usado para classificar objetos ou processos que não causam grande impacto ao meio ambiente.

Embalagens e reciclagem:

As embalagens são um dos grandes inimigos do meio ambiente, desde a produção até o descarte. Ana Flávia da Cruz Gomes, representante da empresa Eureciclo, especializada no descarte de resíduos sólidos, afirma que a sociedade precisa refletir sobre quais materiais devem entrar nas casas.

“A primeira coisa a se pensar quando se vem a mente essa questão [de mitigação dos impactos ambientais] é que tipo de embalagem eu vou descartar e não poderá ser reciclada.”

Ana Flávia cita os canudos plásticos como um exemplo de produto que deve ser evitado, já que não se decompõem na natureza e só podem ser usados uma única vez. O item foi até proibido em algumas cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo. Ela ressalta a importância dessa união entre governo e sociedade para reverter os impactos ambientais.

“O Estado traz uma diretriz para que as empresas possam seguir todas o mesmo caminho, mas eu sempre digo que somos nós, os consumidores, os grandes agentes da mudança porque o Estado responde a nossa cobrança”, diz a representante da Eureciclo.De acordo com Ana Flávia, cerca de 70% do lixo produzido em casas são compostáveis, ou seja, lixo orgânico que, se manuseado de maneira apropriada, pode virar adubo. Esse processo torna a produção e descarte de alimento um ciclo sustentável capaz de ajudar o meio ambiente.

Os materiais que formam os 30% restantes do lixo doméstico, em sua maioria, são recicláveis, como vidro, plástico e alumínio. Essas embalagens podem ser lavadas, separadas e entregues a catadores ou cooperativas especializadas no reaproveitamento de descartáveis.

Energia e transporte:

A queima de combustíveis fósseis, que tem como consequência a emissão de gases de efeito estufa, é um dos principais fatores que causa as mudanças climáticas no planeta. A assessora do grupo Mercúrio Partners Branca Americano afirma que a implementação de um transporte público inteligente, que aposte em integrações moldais, pode ser a chave para a redução dos carros nas ruas.

“Você precisa de transportes públicos porque eles colocam mais gente em um mesmo veículo. [...] Por exemplo, [menos carros estão nas ruas] se você tem o BRT e nas grandes estações você colocar um transporte com veículos menores e que vão te levar com conforto até em casa.”

Para Branca, a mudança das fontes de energia usadas no dia a dia das cidades, como a gasolina, acontecerá como um efeito dominó, no qual a primeira peça a exercer pressão é a sociedade, seguida por grandes empresas, até chegar nos governantes, que tomam as grandes decisões nesta área.

“É sobretudo uma tomada de consciência do indivíduo, que vai resultar em uma tomada de consciência da sociedade, que vai resultar em uma pressão nas empresas e governos. Se você pensar objetivamente sobre o que você pode fazer na sua casa, é complicado, porque energia elétrica você vai usar aquela que a empresa distribui na região da sua residência.”

Branca explica que a energia no Brasil é considerada limpa, já que grande parte da geração é feita por hidroelétricas, ou seja, um fluxo de água movimenta as turbinas para produzir eletricidade. No entanto, outros sistemas, como o eólico e solar, são boas opções e que ajudam a não emitir gases de efeito estufa.

Para a especialista, o próximo passo para a energia proveniente de hidrelétricas é a otimização das usinas, ou seja, projetar áreas de represas menores, mas mantendo a capacidade de produção de energia.

Como legado da pandemia do novo coronavírus, que forçou a diminuição dos encontros presenciais, o coordenador de engenharias da Universidade Estácio de Sá aconselha avaliar, inclusive, se um encontro presencial pode ser substituído por um virtual para evitar o impacto do deslocamento.

"As pessoas andam menos hoje, existem menos carros. Existe muito home office hoje que vai perdurar. Ainda é muito cedo para avaliar isso, mas de repente o que estamos vendo é uma readequação [do sistema]", conclui Godoi.

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