
Operador 88
Durante evento do Novo PAC realizado na sexta-feira (25), em Osasco, na Grande São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas a integrantes da família Bolsonaro, acusando-os de agir contra os interesses do Brasil ao buscar apoio do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à adoção de tarifas sobre produtos brasileiros. Em um discurso com tom histórico e simbólico, Lula evocou a figura de Tiradentes e relembrou o episódio da Inconfidência Mineira para ilustrar o que considera um ato de traição à pátria. O presidente mencionou o papel de Joaquim Silvério dos Reis, delator do movimento que defendia a independência de Minas Gerais do domínio português, para comparar com os atuais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que estariam atuando junto ao governo norte-americano em prol de interesses pessoais. A crítica se refere ao suposto envolvimento de membros do círculo bolsonarista em articulações com Trump para pressionar o governo dos EUA a impor tarifas de até 50% sobre produtos do Brasil, como forma de barganha política. Lula classificou essa ação como uma “combinação de sem-vergonhice com antipatriotismo”. A fala ocorre em meio a um contexto político marcado por tensões diplomáticas e investigações envolvendo aliados de Bolsonaro, além da recente decisão dos EUA de aumentar tarifas sobre alguns produtos brasileiros. Lula aproveitou o momento para reforçar a defesa da soberania nacional e do papel do Brasil como protagonista no cenário internacional.
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, revelou na quinta-feira (25) que manteve uma conversa com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, sobre as recentes tarifas impostas a produtos brasileiros pelo governo norte-americano. O diálogo ocorreu no último sábado (19) e foi o primeiro contato de alto nível entre os dois países desde o anúncio das taxações feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump, há duas semanas. Segundo Alckmin, o objetivo da conversa foi reforçar o interesse do Brasil em buscar uma saída negociada para o impasse, evitando prejuízos mútuos. O vice-presidente ressaltou ainda que a escalada de barreiras pode provocar efeitos negativos tanto para os Estados Unidos, com aumento da inflação, quanto para o Brasil, com queda nas exportações. Em contrapartida, Alckmin propôs aprofundar a integração econômica, ampliar investimentos recíprocos e retomar pautas como o acordo de não bitributação. Embora tenha evitado revelar detalhes sobre a resposta americana, Alckmin classificou o diálogo como construtivo e promissor. A iniciativa do governo brasileiro sinaliza uma tentativa de preservar o canal diplomático com Washington e garantir segurança jurídica para os exportadores nacionais, num momento de tensão crescente no comércio internacional.
Aproximadamente 134 milhões de brasileiros com contas vinculadas ao FGTS terão um reforço financeiro neste ano. O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço aprovou, na quinta-feira (25), a distribuição de R$ 12,929 bilhões, referentes ao lucro obtido pelo fundo em 2023. O valor representa 95% do resultado positivo registrado no período, que somou R$ 13,61 bilhões. Embora expressiva, a quantia é quase R$ 10 bilhões inferior ao lucro histórico alcançado no ano anterior, quando o FGTS registrou R$ 23,4 bilhões em ganhos. Ainda assim, a rentabilidade das contas do fundo em 2024 será de 6,05%, superando a inflação acumulada de 4,83% registrada no ano passado. Nos últimos anos, o percentual de lucros repassados aos trabalhadores variou. Em 2023 e 2022, a integralidade — 99% — foi distribuída. Já em 2021, 96% do montante foi compartilhado, e no ano passado, apenas 65%. A aprovação do balanço financeiro e a definição da divisão dos lucros costumam ocorrer em agosto, mas neste ano foram antecipadas para a reunião de julho. O depósito dos valores nas contas dos trabalhadores deverá ocorrer até o fim de agosto.
A quarta-feira (23) começou com um novo alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) sobre os riscos associados ao tempo seco em diversas partes do país. Treze estados brasileiros estão sob atenção devido aos baixos níveis de umidade do ar, que variam entre 20% e 30%, índice considerado prejudicial à saúde. Entre os estados afetados estão Bahia, Maranhão e Piauí, no Nordeste, além de regiões do Centro-Oeste, Sudeste e parte da Amazônia. A tendência, segundo o Inmet, é de que o clima seco persista nos próximos dias, com pouca ou nenhuma previsão de chuva e grande variação de temperatura entre o início da manhã e o fim da tarde. Enquanto o interior do país enfrenta a seca, o extremo Norte continua lidando com pancadas de chuva frequentes. Já no Sul, o frio deve se intensificar com a aproximação de uma nova frente fria, mantendo as temperaturas baixas até o fim da semana. Além dos estados nordestinos, o aviso inclui Amazonas, Pará, Rondônia, Distrito Federal, Goiás, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em situações de baixa umidade, o Inmet recomenda que a população evite atividades físicas ao ar livre nas horas mais quentes do dia, aumente a ingestão de líquidos e redobre os cuidados com crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
O sábado se consolidou como o dia mais crítico para furtos de celulares no Brasil. A conclusão é do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O documento, que analisa os dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal, aponta que o crime ocorre com mais frequência às 10h da manhã e no início da noite, entre 18h e 20h. Apesar de uma redução de 13% no número total de ocorrências em relação ao ano anterior, mais de 917 mil casos de roubos e furtos de celulares foram registrados ao longo do ano. Os finais de semana se destacam como os períodos mais vulneráveis: só aos sábados, 18% dos furtos são cometidos, enquanto os domingos concentram outros 16%. Juntos, os dois dias representam mais de um terço dos casos. Criado em 2011, o anuário tem como objetivo monitorar a evolução da criminalidade no país com base nos dados fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança pública. O relatório serve como referência para políticas públicas e estratégias de enfrentamento à violência. Com a popularização dos smartphones e a constante conexão das pessoas, os celulares continuam sendo alvos atrativos para criminosos, especialmente em horários e locais com maior fluxo de pessoas.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de contas bancárias e bens do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A decisão, proferida na segunda-feira (21), impede que o parlamentar realize qualquer movimentação financeira, inclusive o recebimento de recursos via Pix. A medida atinge diretamente as doações feitas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do deputado, que afirmou ter transferido cerca de R$ 2 milhões para custear a estadia de Eduardo nos Estados Unidos. O parlamentar está fora do país desde março deste ano, quando solicitou licença da Câmara dos Deputados alegando perseguição política. A licença se encerrou no último domingo (20), mas até o momento ele não retornou ao Brasil. Pelas regras do regimento interno da Câmara, a ausência prolongada e sem justificativa pode resultar em processo de cassação. Eduardo, no entanto, já declarou que não pretende renunciar ao mandato. O deputado é investigado no âmbito da ação penal que apura tentativa de interferência internacional contra o governo brasileiro e o STF, envolvendo também o ex-presidente Jair Bolsonaro. A suspeita é de que Eduardo tenha incentivado autoridades dos Estados Unidos a se posicionarem contra decisões do Judiciário brasileiro. Na última sexta-feira (18), o próprio ex-presidente foi alvo de uma nova operação da Polícia Federal no mesmo inquérito. Ele foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica e teve decretado recolhimento domiciliar noturno, das 19h às 6h, após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontar risco de fuga. Jair Bolsonaro deve ser julgado em setembro. Durante participação em um podcast, Eduardo Bolsonaro confirmou o bloqueio de suas contas e afirmou estar tranquilo, garantindo que não há nada a esconder. As investigações seguem sob relatoria de Alexandre de Moraes, e novos desdobramentos são esperados nos próximos dias.
Um doce simples e apaixonante está conquistando corações e paladares no em todo o Brasil. Batizado de "Morango do Amor", o bombom que une morango fresco, brigadeiro e uma crosta crocante se tornou febre nas últimas semanas e está transformando o dia a dia de docerias. A procura é tanta que algumas confeitarias têm deixado de lado a produção de outros doces para atender exclusivamente à demanda pelo queridinho do momento. Em casos mais extremos, há relatos de estabelecimentos que fecharam por um dia inteiro apenas para focar na produção do bombom, que costuma provocar longas filas de clientes. Millena Moreira, de 26 anos, sentiu na pele esse impacto. Dona de uma doceria em Vila Velha, ela conta que, embora já estivesse acostumada com o movimento intenso, a procura nas últimas duas semanas surpreendeu: a produção diária de bombons dobrou, saltando de 400 para 800 unidades. Inspirado na clássica maçã do amor, o "Morango do Amor" une tradição, sabor e um toque de criatividade — combinação que, ao que tudo indica, conquistou em cheio o público apaixonado por doces.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu na segunda-feira (21) um alerta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, destacando que ele poderá ser preso caso continue desrespeitando as restrições determinadas pela Corte. A advertência surgiu após Bolsonaro divulgar, em seus perfis nas redes sociais, links de entrevistas que concedeu recentemente à imprensa. No entanto, uma das determinações impostas na semana passada, como parte de medidas cautelares, foi justamente a proibição do uso de redes sociais — seja diretamente ou por meio de terceiros. Moraes reforçou que a restrição abrange não apenas postagens próprias, mas também qualquer forma de divulgação de conteúdo envolvendo o ex-presidente, como áudios, vídeos ou trechos de entrevistas publicados por outras pessoas em plataformas digitais. A medida ocorre no contexto das investigações em curso que envolvem Bolsonaro, e a conduta observada foi considerada por Moraes uma possível tentativa de driblar a ordem judicial.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que o rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, será formalmente indiciado nesta terça-feira (22) por suspeita de ligação com o Comando Vermelho, uma das principais facções criminosas do estado. De acordo com as autoridades, o artista teria dificultado a atuação dos agentes durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra um adolescente de 17 anos, conhecido como “Menor Piu”, acusado de roubos de veículos e apontado como segurança de um dos líderes do tráfico, o criminoso conhecido como Doca. O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, declarou que o cantor responderá por associação ao tráfico, resistência qualificada, dano ao patrimônio público e desacato. O episódio que motivou a investigação aconteceu quando Oruam e pessoas próximas teriam interferido para impedir a apreensão do menor. A polícia também destaca que o rapper possui ligações familiares com nomes conhecidos do crime organizado. Ele é filho de Marcinho VP, condenado por tráfico, homicídio e formação de quadrilha, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho. Oruam ainda carrega no corpo tatuagens em homenagem ao pai e ao traficante Elias Maluco, condenado pela morte do jornalista Tim Lopes. As investigações seguem sob responsabilidade da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que apura o grau de envolvimento do artista com a estrutura criminosa.
O pen drive apreendido no banheiro da casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, não apresentou conteúdo de interesse para a investigação que apura possíveis crimes contra o Estado Democrático de Direito. A informação foi divulgada na segunda-feira (21) pelo jornalista César Tralli, da TV Globo e Globo News. O dispositivo foi recolhido pela Polícia Federal na última sexta-feira (18), durante uma operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A análise pericial, conduzida pelo Instituto Nacional de Criminalística da PF, concluiu que não havia dados relevantes no material, cujo laudo permanece sob sigilo, mas já teria sido encaminhado ao responsável pelo inquérito. A investigação tem como foco principal apurar se Jair Bolsonaro e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuaram para pressionar instituições brasileiras e buscaram apoio do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na tentativa de influenciar decisões do Judiciário brasileiro. Em declaração à imprensa, Bolsonaro disse não saber da existência do pen drive. Durante a ação, os agentes também apreenderam US$ 14 mil e R$ 8 mil em dinheiro vivo, além de uma cópia impressa de uma ação judicial protocolada pela plataforma de vídeos Rumble nos Estados Unidos. O documento questiona decisões do ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de censura judicial.
A recente decisão do presidente Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos acendeu um alerta no setor do agronegócio nacional. A medida, de forte impacto econômico, pode comprometer a competitividade de importantes cadeias produtivas e reduzir significativamente a receita dos produtores brasileiros. Segundo estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, as áreas mais vulneráveis à nova taxação são a produção de suco de laranja, café, carne bovina e frutas frescas. Entre essas, o suco de laranja é o mais afetado. O produto já enfrenta uma tarifa fixa de 415 dólares por tonelada ao entrar no mercado norte-americano, e o acréscimo de uma nova sobretaxa pode inviabilizar as exportações para o país que, atualmente, é o segundo maior destino das vendas externas brasileiras da bebida. De acordo com os pesquisadores do Cepea, os Estados Unidos importam cerca de 90% do suco de laranja que consomem, e o Brasil é responsável por aproximadamente 80% desse volume. A nova tarifa, portanto, surge em um momento delicado, marcado por uma safra recorde estimada em 314,6 milhões de caixas para o período 2025/26 nas regiões do estado de São Paulo e Triângulo Mineiro — crescimento de 36,2% em relação à safra anterior. A possível perda de acesso ao mercado norte-americano pode levar a um aumento de estoques internos e consequente queda nos preços pagos aos produtores. A cadeia do café também pode enfrentar sérios prejuízos. Os EUA são os maiores consumidores do grão no mundo e importam um quarto da produção brasileira, principalmente da variedade arábica, fundamental para a indústria de torrefação do país. Como os norte-americanos não produzem café, o aumento das tarifas pode gerar um efeito cascata, prejudicando torrefadoras, cafeterias, fabricantes de bebidas e o comércio varejista. Além dos prejuízos comerciais, especialistas temem um desequilíbrio de mercado, com excesso de oferta interna e instabilidade nos preços agrícolas. O Cepea destaca que a medida americana surge em um cenário onde o setor agrícola brasileiro vinha se recuperando com expectativa de crescimento.
Entre 2020 e 2022, mais de 1 milhão de adolescentes brasileiras com idades entre 15 e 19 anos tornaram-se mães. Além disso, quase 50 mil meninas entre 10 e 14 anos também engravidaram nesse período. Os dados fazem parte de uma pesquisa do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel) e revelam um cenário alarmante. A análise mostra que, a cada ano, aproximadamente uma em cada 23 jovens entre 15 e 19 anos passa pela maternidade no país. Segundo a legislação brasileira, toda gravidez ocorrida em meninas de até 14 anos é considerada fruto de estupro de vulnerável, o que adiciona gravidade aos dado. A taxa nacional de fecundidade na adolescência é de 43,6 nascimentos a cada mil adolescentes — quase o dobro da média de países de renda média alta, como o próprio Brasil, estimada em 24 por mil. O índice também é muito superior ao observado em países parceiros no BRICS, como Rússia, Índia e China, onde a taxa não ultrapassa 16,3 por mil. A expectativa dos pesquisadores era de que o Brasil tivesse indicadores mais alinhados com sua faixa de renda, mas os resultados apontam para uma realidade distinta. A desigualdade regional também salta aos olhos: enquanto a Região Sul registra 35 nascimentos por mil adolescentes, o Norte apresenta uma taxa de 77,1 — mais que o dobro. A classificação dos municípios conforme os níveis de fecundidade revela o contraste: 76% das cidades da Região Norte têm indicadores comparáveis aos de países de baixa renda. No Sudeste, essa proporção é de apenas 5,1%. No Sul, 9,4%; no Nordeste, 30,5%; e no Centro-Oeste, 32,7%. O levantamento reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas voltadas à educação sexual, acesso a métodos contraceptivos e proteção de meninas e adolescentes, especialmente nas regiões mais vulneráveis do país.
Quinze anos após o brutal assassinato de Eliza Samudio, sua mãe, Sônia Fátima Moura, recebeu na quinta-feira (17) os poucos objetos que restaram da filha. As peças, mantidas sob custódia da Justiça desde 2010 para fins de investigação, chegaram às mãos de Sônia como dolorosos símbolos de uma ausência irreparável. Entre os itens devolvidos estão um par de sandálias, um óculos escuro e uma carteira com a foto do pequeno Bruninho — filho de Eliza com o ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado por envolvimento no assassinato. Hoje com 15 anos, Bruninho segue atuando como goleiro no time Sub-14 do Botafogo. Ela compartilhou o sofrimento silencioso que a acompanha desde então. Além dos itens pessoais, fraldas descartáveis de Bruninho, ainda bebê na época do crime, também foram devolvidas, mas Sônia optou por não recebê-las. Os pertences estavam no carro usado por Bruno na época do desaparecimento de Eliza. O caso, ocorrido em 2010, chocou o país pela frieza e brutalidade com que a jovem foi assassinada. Mesmo após tantos anos, os restos mortais de Eliza jamais foram encontrados, o que prolonga o sofrimento de sua mãe e impede o encerramento definitivo de um luto que nunca cessou. Sônia já havia recebido anteriormente o computador da filha, mas, segundo declarou à imprensa, não teve coragem de ligá-lo. O gesto de devolver os pertences representa um marco no longo processo de dor, mas também escancara o vazio deixado pela ausência de justiça plena — a ausência do corpo, a ausência de Eliza.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou na sexta-feira (18) uma medida diplomática polêmica: a revogação dos vistos do ministro Alexandre de Moraes, de seus familiares e de aliados ligados ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita poucas horas após a Polícia Federal deflagrar uma nova operação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que incluiu mandados de busca e apreensão, uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento noturno. Em uma publicação nas redes sociais, Rubio acusou Moraes de promover uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e afirmou que as ações do ministro estariam ferindo direitos fundamentais. Apesar do tom contundente, Rubio não especificou quais ministros além de Moraes teriam sido incluídos na decisão. O anúncio gerou forte repercussão tanto no cenário nacional quanto internacional, acentuando a tensão entre setores do Judiciário brasileiro e figuras ligadas à direita política, especialmente após os recentes desdobramentos judiciais envolvendo o ex-presidente Bolsonaro. Até o momento, não houve manifestação oficial por parte do Itamaraty ou do STF sobre a revogação dos vistos.
A Câmara dos Deputados aprovou, na noite de quinta-feira (17), um projeto de lei que altera de forma significativa as normas que regem o licenciamento ambiental no Brasil. Com 267 votos favoráveis e 116 contrários, a proposta agora segue para análise do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que poderá sancionar ou vetar trechos do texto. Aprovado após mais de duas décadas de tramitação no Congresso, o projeto divide opiniões. Ambientalistas e entidades ligadas à preservação do meio ambiente criticam duramente a medida, alertando que ela pode enfraquecer mecanismos de controle sobre atividades potencialmente poluidoras, além de ameaçar comunidades tradicionais. O Ministério do Meio Ambiente, liderado por Marina Silva, manifestou oposição à proposta, enquanto ministérios como Agricultura e Minas e Energia apoiaram a mudança. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), orientou a base aliada a votar contra o texto. Ainda assim, a matéria foi aprovada com folga, apoiada principalmente por parlamentares ligados à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), que argumentam que a proposta representa um avanço na redução da burocracia para quem precisa de licenças ambientais. Entre os pontos mais controversos do projeto estão: A criação de uma nova licença especial, que pode autorizar obras consideradas estratégicas pelo governo federal com maior agilidade, mesmo em casos de alto impacto ambiental; A dispensa de licenciamento para a ampliação de rodovias e atividades agropecuárias; A liberação da renovação automática de licenças por meio de autodeclaração online, sem nova análise técnica, desde que não haja mudança no porte do empreendimento; A permissão para que estados e municípios decidam sobre o desmatamento da Mata Atlântica, retirando do Ibama a palavra final em determinados casos; A exclusão de regras do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) no licenciamento de atividades mineradoras de grande escala ou alto risco; A desconsideração de terras indígenas não homologadas e territórios quilombolas ainda não oficializados no processo de licenciamento. Com as mudanças, também ficam isentas de licença ambiental obras como pequenas barragens de irrigação, estações de tratamento de água e esgoto — ao menos até que o país alcance as metas de universalização do saneamento básico estabelecidas por lei.