Dia do Músico: Bandas de Música em Livramento


Dia do Músico: Bandas de Música em Livramento

Por: Carlos Henrique Castro

22 de novembro, dia em que se comemora a festividade de Santa Cecília, foi escolhido como dia do Músico e da música em homenagem à santa padroeira dos músicos. Esta data marca a valorização cultural de uma expressão artística das mais sublimes, capaz de transmutar energias, acalmar os corações e trazer paz aos que se encontram em desequilíbrio.

Não há como falar de música sem percorrer a extensa tradição das Bandas de Música que existiram em Livramento. A primeira delas foi a Sociedade Phylarmônica Lyra São João, fundada em 1877 pelo Coronel Rodrigo Alves Pereira da qual o mesmo foi o 2° Maestro. A Lyra São João tinha sede firmada na comunidade de Curralinho – atual Dom Basílio – à época pertencente a Livramento. 

Da São João Saíram músicos como o bombardinista José Calazans de Castro – conhecido como Cadombá, filho de escravizados foi adotado pelo Dr. Senador José de Aquino Tanajura – e Pedro Nunes Maciel – Tutu da Vereda – além de nomes importantes de toda a região. Pela São João também passou o Maestro Antônio Ribeiro de Novais, um dos fundadores da Sociedade Lítero e Musical Lira Abairense. 

Tutu da Vereda em 1930 fundou a Banda Lyra São Gonçalo com a ajuda de Gonçalo Pereira e Silva e mais 12 músicos. O último dos músicos da Lyra São Gonçalo faleceu recentemente, foi 1° Trompista, e foi uma figura extremamente popular, Teópsto de Oliveira Castro, chamado por todos de 
Opa. 

Em 1940 a Associação dos Amigos de Livramento resolve criar uma banda do mesmo porte que a São Gonçalo. Foi então criada a Filarmônica 02 de Julho. O 1° Regente foi o Sr. Flaviano Osório de Castro, substituído por João Cotrim que depois de algum período se transferiu para a cidade de São Paulo e passou a batuta ao Mestre Manoel Conceição de Castro – Né de Octaviano. 

Da 02 de Julho podem-se tirar várias histórias que certamente dariam uma dezena de livros. A mais intrigante de todas foi o conflito entre os discípulos do Mestre Né e o grupo do Dr. Edilson Ribeiro Pontes, então presidente da AAL. 

Afim de renovação, Dr. Edilson Pontes procurou destituir do cargo de Maestro o Sr. Manoel Conceição de Castro, contratando direto de Salvador o 1° Tenente do Corpo de Bombeiros da Bahia, Arlindo José de Souza, chamado 
em seu batalhão de Tenente Bem-Te-Vi. Arlindo era genro do oficial de justiça Higino de Oliveira Andrade (Gino Mãozinha), chefe do clã Andrade que até hoje legam muitos músicos para Livramento. 

Sentindo-se injustiçado, Né de Octaviano se afasta da 02 de Julho. Seus discípulos decidem também se afastar. Tomado de justiça pelo Mestre Né, o Padre Sinval Laurentino de Medeiros decide montar a Banda Filarmônica Lyra de Nossa Senhora do Livramento. 

A grande dificuldade do Padre Sinval foi em conseguir recursos para comprar instrumentos. Informado de que a Banda do Arraial de Mato Grosso encontrava-se desativada, lá foi o padre em busca dos instrumentos. 

Instrumentos comprados, em 1° de Maio de 1957 é oficializada a Lyra de Nossa Senhora do Livramento que permaneceu ativa até 1995. A Lyra 02 de Julho funcionou até meados de 1960 tendo se extinguido totalmente. 

1996 nasce por iniciativa do Prefeito Emerson Leal a Sociedade Musical Maestro Lindembergue Cardoso, ativa ainda nos dias atuais sob o comando do Riocontense Cristian Cardoso. 

2019 surge por iniciativa popular o desejo da reativação da “Furiosa do Padre Sinval” – assim era chamada a Lyra de Nossa Senhora do Livramento –, reativada a partir de estatutos e documentos do acervo do Sr. Mário do Carmo Tanajura, doado por sua filha, Maria da Conceição Villasboas Tanajura (Lela). Fato curioso é que como ajuste natural ou providencial do universo, a Lyra está atualmente instalada na sede da Associação dos Amigos de Livramento, antiga sede da 02 de Julho e de onde saíram seus fundadores. Seus regentes foram: 
 

Manoel Conceição de Castro, 1°; José de Castro, 2°; José Cordeiro Ladeia, 3°; Manoel Messias de Andrade, 4°; novamente José de Castro, 5°; e atualmente Carlos Henrique Castro, 6°. 

No rol de compositores Livramentenses vários nomes se destacaram entre eles, dos quais alguns a Lyra de Nossa Senhora do Livramento ainda conserva suas composições que iremos descrever abaixo.

João Baptista de Queiróz: Dobrados Padre Sinval, Tudo Novo, José Corrêia e Isaías Lima.

Pedro Nunes Maciel: Dobrados 15 de Agosto, Tupinambá, Clóvis Teixeira, Recordação de Um Colega, Gonçalo Pereira e Silva, José Athanázio, III Sobrinhos; boleros Jesulino Teixeira, Evilázio; fantasia Emiliano Cardoso.

Lindembergue Cardoso: Marcha Nossa Senhora do Livramento, Dobrado João Corrêia. 

Boanerges de Castro: Dobrados Manoel Conceição de Castro, Flaviano Osório de Castro.

José de Castro: Dobrados José de Jove, Preto no Branco, Marcos Andrade, Antônio Tanajura Gomes e as polacas Da. Helita Dias e Josenilza Castro. 

Dentre outros. 

Atualmente Livramento possui 02 filarmônicas, bandas marciais e fanfarras, bandas de palco, bandas baile e diversos conjuntos, demonstrando assim o crescente gosto e interesse das novas gerações por perpetuar a cultura 
musical em toda Livramento de Nossa Senhora. 

Viva a Música! Viva os Músicos! Viva a cultura Livramentense!
 

Carlos Henrique Castr