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Estiagem severa e El Niño elevam risco de incêndios na Chapada Diamantina

 Estiagem severa e El Niño elevam risco de incêndios na Chapada Diamantina

Foto: WhatsApp 88 FM

A combinação de um período prolongado de estiagem, índices críticos de baixa umidade do ar e os reflexos intensificados do fenômeno El Niño colocou a região da Chapada Diamantina e o interior da Bahia em situação de alerta máximo para incêndios florestais. O cenário é tratado pelo Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA) como o período de maior vulnerabilidade ambiental dos últimos anos. Em entrevista exclusiva concedida ao jornal da 88 FM, o comandante-general da corporação, coronel Aloísio Mascarenhas Fernandes, destacou que o volume de ocorrências em 2026 já supera o registrado em períodos anteriores, incluindo o último ciclo do El Niño entre 2023 e 2024. "Nós temos uma condição de baixíssima umidade e elevadas temperaturas. Enfim, essa é a receita ideal para a eclosão dos incêndios, e nesse sentido nós temos tido muitas queimadas, num volume maior do que nos anos anteriores, inclusive num volume maior do que o último El Niño que aconteceu de 23 para 24", salientou Aloísio, que ainda firmou que, em apenas 72 dias de operação contínua, as equipes de salvamento já extinguiram 345 incêndios florestais de pequeno, médio e grande portes em solo baiano. Desafios no relevo e tecnologia de ponta - A topografia acidentada e o difícil acesso característicos da Chapada Diamantina impõem barreiras severas às equipes de combate ao fogo. Para superar esses obstáculos, a estratégia operacional foi reestruturada com foco em inovação e monitoramento preditivo. "Essa é uma região que nos preocupa muito por conta do tipo de vegetação e do tipo de relevo. É uma região que apresenta difícil acesso sempre aos locais de incêndio; nós estamos utilizando mais tecnologias, empregamos mais viaturas e aumentamos o número de drones nesse monitoramento", reforçou o comandante. 

A corporação já empregou 42 viaturas especializadas e ampliou o uso de drones para mapeamento aéreo, antecipando focos de calor antes de sua propagação. Além disso, em parceria com órgãos como o Inema, foram realizadas 1.305 ações preventivas em apenas dois meses e meio, focando na conscientização de pequenos produtores e agricultores familiares. Fator humano e o pico crítico em novembro e dezembro - Apesar do clima severo, o comando reforça que cerca de 95% dos incêndios decorrem da ação humana — seja por descuidos em atividades agrícolas ou por condutas negligentes de turistas em áreas de preservação, como o recente registro no Vale do Capão. "O período mais severo será em novembro e dezembro. Então a gente ainda tem uma margem operacional de resposta. Tudo foi pensado considerando essa situação apontada pelos cientistas de uma situação mais grave para este ano; a antecipação ela é fundamental", alertou Mascarenhas. Com um efetivo mobilizado de 179 bombeiros militares e margem tática preservada para os meses mais quentes, a corporação reforça as orientações essenciais para a população: Em caso de princípio de incêndio: Acione imediatamente o 193 e forneça referências exatas de localização e riscos locais (vias, residências e rede elétrica). O que evitar: É proibido e perigoso o uso de fogo para limpeza de terrenos ou manejo agrícola durante a estiagem.

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