Foto: imagem/ Kate Flock/Massachusetts General Hospital
Um paciente com doença renal em estágio terminal sobreviveu por mais de 271 dias sem precisar de diálise após receber um rim de porco geneticamente modificado. O período é considerado um novo marco nas pesquisas que buscam tornar possível o transplante de órgãos de animais para seres humanos. O procedimento foi realizado por uma equipe liderada pelo brasileiro Leonardo Riella, professor da Harvard Medical School, nos Estados Unidos. Antes do transplante, o paciente dependia de sessões frequentes de diálise, utilizava cadeira de rodas e enfrentava diversas limitações em sua rotina. Após receber o rim suíno, ele conseguiu passar cerca de nove meses sem diálise e retomou uma rotina considerada normal pela equipe médica. O resultado é apontado como um dos avanços mais importantes na busca por uma alternativa à escassez de órgãos humanos disponíveis para transplantes. Um dos principais fatores que permitiram o sucesso do procedimento foi a edição genética do animal doador. As alterações realizadas no DNA do porco tiveram como objetivo eliminar estruturas que poderiam ser reconhecidas pelo sistema imunológico humano, reduzindo significativamente o risco de rejeição do órgão.
A possibilidade de utilizar órgãos de animais em transplantes humanos é estudada há décadas e é considerada uma das alternativas mais promissoras para enfrentar a falta de doadores. Caso a técnica avance e seja considerada segura para uso amplo, ela poderá beneficiar milhares de pacientes que aguardam por um transplante. No Brasil, o transplante renal está entre os procedimentos mais realizados. Um único doador falecido pode possibilitar a doação de dois rins, enquanto também existe a possibilidade de transplante entre pessoas vivas. Apesar disso, cerca de 45 mil brasileiros aguardam atualmente por um rim, segundo dados do Ministério da Saúde. O resultado alcançado pela equipe de Leonardo Riella representa, portanto, um passo importante para a chamada enotransplantação — área da medicina que pesquisa o uso de órgãos, tecidos e células de animais em seres humanos. Embora ainda sejam necessários novos estudos para avaliar a segurança e a eficácia da técnica em larga escala, o caso reforça a possibilidade de que órgãos geneticamente modificados de animais possam, no futuro, ajudar a reduzir as filas de transplantes.


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