A possibilidade de utilizar órgãos de animais em transplantes humanos é estudada há décadas e é considerada uma das alternativas mais promissoras para enfrentar a falta de doadores. Caso a técnica avance e seja considerada segura para uso amplo, ela poderá beneficiar milhares de pacientes que aguardam por um transplante. No
Brasil, o transplante renal está entre os procedimentos mais realizados. Um único doador falecido pode possibilitar a doação de dois rins, enquanto também existe a possibilidade de transplante entre pessoas vivas. Apesar disso, cerca de 45 mil brasileiros aguardam atualmente por um rim, segundo dados do Ministério da
Saúde. O resultado alcançado pela equipe de Leonardo Riella representa, portanto, um passo importante para a chamada enotransplantação — área da medicina que pesquisa o uso de órgãos, tecidos e células de animais em seres humanos. Embora ainda sejam necessários novos estudos para avaliar a segurança e a eficácia da técnica em larga escala, o caso reforça a possibilidade de que órgãos geneticamente modificados de animais possam, no futuro, ajudar a reduzir as filas de transplantes.