Foto: Divulgação / Banco Master
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ter sofrido ameaças e intimidações durante transferências realizadas após sua prisão. Segundo ele, os episódios teriam dificultado as tentativas de negociação de um acordo de delação premiada. As declarações foram dadas em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e divulgadas pela revista Veja nesta sexta-feira (4). Vorcaro relatou que um dos episódios ocorreu durante o transporte de São Paulo para Brasília. Segundo ele, além das condições que classificou como abusivas, teria ouvido uma ameaça relacionada à possibilidade de revelar informações sobre uma pessoa que chamou de “chefe”.
Em outro episódio, durante uma transferência de helicóptero em Brasília, o ex-banqueiro afirmou que um agente teria sugerido que seria mais fácil “jogar ele daqui” enquanto a aeronave estava no ar. Vorcaro disse que, naquele momento, temeu pela própria vida. O empresário relacionou as supostas ameaças à possibilidade de mencionar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma eventual colaboração. Vorcaro afirmou que mantinha relação com Rodrigues e que ele teria participado de eventos relacionados ao crescimento do Banco Master. Ainda segundo o depoimento, Vorcaro disse que tentava apresentar sua versão à Polícia Federal havia cerca de nove meses, mas não teria conseguido avançar nas tratativas. De acordo com ele, a Procuradoria-Geral da República teria demonstrado maior disposição para ouvir seu relato. O ex-banqueiro afirmou também que pretendia mencionar na eventual delação pessoas ligadas ao atual governo e instituições com as quais manteve relações. Segundo Vorcaro, algumas dessas relações teriam envolvido situações que, na avaliação dele, ultrapassaram limites de “moralidade” e “ilicitude”.


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