Foto: Reprodução
A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou ao YouTube a retirada ou a sinalização de conteúdos de 97 perfis que utilizam inteligência artificial para criar personagens apresentados como médicos e divulgar recomendações sem comprovação científica. A medida, adotada após análise técnica do Ministério da Saúde, foi comunicada à plataforma na últimasexta-feira (4). A notificação concedeu prazo de 72 horas para que os vídeos sejam removidos ou recebam aviso explícito de que os personagens foram gerados por inteligência artificial. Além disso, o governo exige que a plataforma avalie outros conteúdos enviados pela União com base em suas próprias regras contra desinformação na área da saúde. Os perfis identificados publicaram material entre janeiro e julho deste ano. Os vídeos apresentam personagens digitais com aparência humana, apresentados como médicos ou especialistas com formações inventadas. Eles promovem produtos, serviços e materiais digitais, frequentemente com tom alarmista, e direcionam parte do conteúdo especificamente ao público idoso. A ação ganhou relevância após investigação da BBC News Brasil revelar rede semelhante de 29 canais em português, que somou mais de 70 milhões de visualizações. Relatos registrados em comentários indicam que espectadores, entre eles idosos, passaram a trocar medicamentos por alimentos, plantas ou tratamentos caseiros seguindo orientações dos vídeos. O Ministério da Saúde alerta que esse tipo de conteúdo pode induzir à automedicação, ao abandono de tratamentos comprovados e à substituição de medicamentos prescritos por terapias sem eficácia reconhecida. As informações completas sobre os 97 perfis foram encaminhadas à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina para as providências cabíveis.


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