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Vale que Dança celebra 10 anos na Chapada Diamantina unindo ancestralidade, corpo e resistência afro-brasileira.

Vale que Dança celebra 10 anos na Chapada Diamantina unindo ancestralidade, corpo e resistência afro-brasileira.

Foto: Eri Efieli

 O município de Palmeiras, localizado no coração do Vale do Capão, na Chapada Diamantina, recebe de 10 a 13 de setembro, a 10ª edição do festival Vale que Dança. Consolidado como um dos principais eventos de valorização da dança afro-brasileira e contemporânea na região, o festival reúne artistas, grupos profissionais e o público em uma programação que une formação, espetáculo e reflexão política. Para o coordenador do festival e artista premiado Toni Silva, que concedeu uma entrevista ao repórter do Jornal da 88, Antônio Carlos, a chegada à décima edição representa um marco de consolidação. O evento, que carrega em sua gênese uma década anterior de mobilizações com os encontros de danças negras na localidade, atinge agora uma maturidade artística e estrutural alinhada ao próprio fortalecimento do movimento cultural. “Então, eu penso que ele já tem uma maturidade enquanto dança, e o Vale que Dança tá chegando também nessa maturidade. Então a gente juntou os dois e formamos esse grande caldeirão cultural de dança, arte e cultura”, pontua Toni.

Corpo, Território e Conhecimento - Sob o tema territorial "Corpo como Território, Memória", a edição deste ano aprofunda o entendimento da dança não apenas como entretenimento, mas como uma potente ferramenta de produção de conhecimento. A proposta pedagógica e artística busca levar esse repertório aos estudantes e à comunidade, estimulando a proliferação de saberes a partir dos corpos. O grande destaque internacional desta edição é a presença do mestre da dança mundial Clyde Morgan, norte-americano, professor e ex-diretor da Escola de Dança da Bahia, que ministrou oficinas e apresentou sua maestria no Vale do Capão. Ao todo, o festival envolve mais de 300 artistas, distribuídos em 12 oficinas e duas mesas redondas, promovendo um intercâmbio de saberes raros e de alto nível técnico.

Raízes Locais e Economia da Cultura - O festival mantém forte compromisso com a escuta e a valorização das identidades locais. Figuras centrais da cultura popular, como Dona Belli — mestre dos saberes tradicionais do terno de ciganias —, conduzem reflexões e celebrações sobre as raízes dos terreiros e das manifestações tradicionais que estruturam o cotidiano da Chapada. Além do impacto artístico e identitário, o Vale que Dança movimenta expressivamente a economia da região. Com a circulação de centenas de participantes, o evento impulsiona o turismo, a rede de serviços e garante a remuneração por meio de cachês para dezenas de profissionais da dança, fortalecendo um ciclo econômico sustentável para os trabalhadores da cultura.

Um Ato Político e de Resistência - Em sua essência, o festival reafirma a urgência de combater as violências raciais e sociais por meio da arte. Para a organização, a dança feita por corpos negros e periféricos é indissociável de sua dimensão política. Encapsulando a filosofia do evento após uma década de história, Toni Silva define o projeto em sua essência: "O Vale que Dança para mim ele é respeito, amor, afeto e ancestralidade". Com a circulação de espetáculos por diversas cidades da Chapada ao longo do mês, o festival reafirma que o passado e o presente caminham juntos para preparar um futuro fundamentado na dignidade e na potência da cultura afro-brasileira.


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