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Sob El Niño, primavera deve ter calor, seca e tempestades severas

Sob El Niño, primavera deve ter calor, seca e tempestades severas

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A primavera de 2026 chega ao Hemisfério Sul nesta terça-feira (22), às 21h05, com previsão de altas temperaturas e formação rápida de tempestades severas no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a influência do El Niño deve acentuar a seca nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Já no Sudeste e no Sul do país, a projeção é de que o fenômeno vai agravar o excesso de chuvas.“O El Niño tem potencial para influenciar as condições climáticas no Brasil durante a primavera, especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste”, afirma o meteorologista do Inmet, Mozar de Araújo Salvador. Nesta primavera, o El Niño tem mais de 90% de probabilidade de atingir a categoria de muito forte e 75% de chance de ser o evento mais forte registrado desde 1950, conforme as projeções do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA). Segundo Mozar Salvador, a influência do fenômeno El Niño na primavera deste ano faz com que a estação ganhe diferentes contornos em relação aos anos anteriores.“De modo geral, as temperaturas devem ficar elevadas, podendo ultrapassar a média para o período em praticamente todo o Brasil, variando de intensidade conforme a região”, conclui.



Em entrevista ao Jornal da 88, meteorologista do Inema alerta agricultores da Chapada Diamantina sobre escassez de chuvas

Em entrevista ao Jornal da 88, meteorologista do Inema alerta agricultores da Chapada Diamantina sobre escassez de chuvas

Foto: Felipe Carvalho

O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, já começou a redefinir o regime de chuvas e temperaturas na Bahia, trazendo alertas urgentes para produtores rurais. Com a mudança no padrão climático, áreas do sudoeste baiano, incluindo a Chapada Diamantina e municípios como Livramento de Nossa Senhora, enfrentam períodos de seca prolongada ou, em outras regiões, chuvas intensas e desreguladas — dois cenários que colocam em risco a produtividade de culturas fundamentais para a economia local e estadual. 

E sobre o tema, o repórter do Jornal da 88 Antônio Carlos ouviu o meteorologista do Inema —  Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos  — , Thiago Barros, que explanou sobre os impactos ambientais e econômicos na região do semiárido. Em um primeiro instante, Thiago afirma que o momento é de cautela no que diz respeito ao plantio, dada a escassez de chuva, que se configura como a característica marcante do El Niño juntamente com o aumento das temperaturas. “O pequeno agricultor deve tomar muito cuidado com a questão das chuvas. Tem que fazer o acompanhamento dessa tendência climática. É muito comum nas primeiras chuvas, o agricultor se animar e querer plantar. Só que não estamos lidando com uma tendência de seca mais prolongada, um atraso no retorno da chuva mais abrangente, de forma mais homogênea. Quando vier a chuva, a chuva pode ser mais violenta, inclusive com queda de granizo, por isso o pequeno agricultor deve se manter atento às previsões para que não haja perdas relevantes na sua agricultura”, alertou Barros. 
Ainda sobre os impactos do El Niño, a União dos Municípios da Bahia (UPB) vai coordenar um esquema permanente de resposta aos impactos do fenômeno na Bahia, com reuniões semanais reunindo representantes do governo federal, do governo estadual e das prefeituras das áreas classificadas como de maior risco climático. O anúncio foi feito pelo presidente da entidade, Wilson Cardoso, no último dia (1º), durante encontro com gestores de Defesa Civil realizado na sede da UPB, em Salvador. A medida integra um conjunto de prioridades definidas pela entidade para dar suporte aos municípios diante do cenário de estiagem que já começa a ameaçar a agropecuária e a segurança alimentar no interior baiano, com foco em antecipar soluções por meio de ações articuladas entre as áreas de saúde, infraestrutura e recursos hídricos, além da distribuição de equipamentos e insumos direcionados aos pequenos produtores rurais.

Inema prevê chuvas escassas e calor acima da média na Bahia até novembro

Inema prevê chuvas escassas e calor acima da média na Bahia até novembro

Foto: Reprodução

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) divulgou previsão climática apontando chuvas entre o normal e abaixo da média histórica e temperaturas acima do padrão em todo o estado entre setembro e novembro. O cenário foi elaborado com base na reunião de análise climática da região Nordeste. A variação por região define o comportamento das precipitações. Leste e litoral: setembro marca o fim do período chuvoso, com volumes dentro ou abaixo do esperado; Centro-Sul e Oeste: estação chuvosa tem início previsto para outubro/novembro, mas com probabilidade de volumes reduzidos e possível atraso por influência do El Niño; Centro-Norte e Nordeste baiano: fora do período chuvoso no trimestre.

As temperaturas devem ficar acima da média em todo o estado, com registros próximos a 40°C em algumas localidades e umidade relativa do ar em queda. O fenômeno El Niño — aquecimento anormal das águas do Pacífico — é o principal fator que influencia o clima no período. O acompanhamento permanente subsidia ações estaduais organizadas no Comitê de Convivência com o Semiárido e no Plano de Enfrentamento aos Impactos do El Niño 2026/2027, com medidas de garantia de acesso à água, segurança alimentar, saúde, prevenção de queimadas (Programa Bahia Sem Fogo) e preparação para eventos extremos.


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