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Em entrevista para a 88, diretora de Meio Ambiente de Abaíra fala em responsabilidade coletiva para com a Chapada

Data: 23 Set 2026 / 18h30 Autor: Redação do Jornal da 88
Foto: WhatsApp 88 FM

Com a intensificação do período de estiagem, o Governo da Bahia determinou a suspensão total das emissões de declaração de queima controlada em todos os municípios do estado até 31 de dezembro de 2026. A medida, estabelecida por uma portaria do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), visa conter os severos danos ambientais e económicos causados pelos incêndios, que ameaçam de forma alarmante as zonas rurais e de vegetação sensível. O descumprimento da regra configura crime ambiental, com multas que variam entre 5 mil e 50 mil reais por hectare danificado, além da possibilidade de detenção.   Os incêndios florestais provocam a perda de lavouras, a morte de animais, a poluição do ar e a destruição de Áreas de Preservação Permanente (APPs), como as matas ciliares, essenciais para a manutenção dos rios.

O repórter Antônio Carlos, do Jornal da 88, entrevistou Raíra Ramos, diretora de Meio Ambiente do município de Abaíra, que afirmou que a prática tradicional de usar o fogo para limpar e preparar a terra para o plantio apoia-se numa falsa perceção de benefício.   "A matéria orgânica ela é mineralizada após o fogo, não é, e enriquece temporariamente o solo. Mas esses nutrientes perdem-se rapidamente e torna o solo infértil", explica a diretora. Diante da necessidade de recuperar as áreas degradadas após o uso indiscriminado do fogo — o que gera ainda mais custos aos produtores —, a consciencialização popular surge como a principal ferramenta de prevenção. Para a especialista, a responsabilidade de travar a destruição deve ser partilhada por toda a sociedade."O meio ambiente ele não é meu, não é da secretaria, não é da Chapada, é de todo o mundo. É do estado, é da união, é do município. 

Então, já que é algo nosso, que nós possamos cuidar de forma conjunta", alerta Raíra Ramos. A problemática ganha contornos de urgência extrema na Chapada Diamantina. Caracterizada por um relevo muito íngreme e de difícil acesso, a região impõe barreiras severas ao combate terrestre das chamas. Quando um foco de incêndio sai do controlo neste território, as brigadas municipais enfrentam dificuldades imensas, dependendo quase em exclusivo do envio de aeronaves e drones por parte do Estado. Sem a prevenção adequada, o avanço do fogo na Chapada degrada o solo e evapora os cursos de água, colocando em risco a biodiversidade baiana e a sobrevivência das comunidades locais.