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Debate na Band: Segurança, feminicídio e alianças com Lula marcam confronto entre candidatos ao governo da Bahia

  • Por Redação do Jornal da 88

  • 10.Ago.2026 // 16h00

  • Política

Debate na Band: Segurança, feminicídio e alianças com Lula marcam confronto entre candidatos ao governo da Bahia
Foto: Reprodução

O primeiro debate entre os candidatos ao governo da Bahia foi realizado na noite deste domingo (9), organizado e transmitido pela TV Bandeirantes. Dos seis postulantes ao cargo, três participaram conforme critério definido pela emissora: ACM Neto (União Brasil), 47 anos; Jerônimo Rodrigues (PT), 61 anos; e Ronaldo Mansur (PSOL), 46 anos. O confronto durou cerca de duas horas e foi estruturado em três blocos.

Segurança pública é tema central

O tema que mais movimentou o debate foi a segurança pública — área em que a Bahia aparece em posição de destaque negativo no mais recente Anuário da Segurança Pública, com cinco municípios baianos entre os dez mais violentos do país. Jerônimo Rodrigues classificou o problema como de âmbito nacional e destacou ações em curso no estado: “Tenho dado continuidade na melhoria das condições de trabalho dos profissionais. Estamos falando de novas armas, delegacias, pelotão, viaturas, investimento em inteligência.” O candidato petista também sinalizou ampliação do uso de câmeras pelos policiais e adotou tom firme: “Eu não passo a mão na cabeça de criminoso. Criminoso bom é criminoso preso. E concordo com o presidente Lula na criação do Ministério da Segurança Pública.”

ACM Neto partiu para o confronto direto:

“Jerônimo criou uma realidade paralela. Tem gente na internet que fala ‘sabor governador’. Ele não assume os próprios problemas. Mais quatro anos do seu governo significam mais gente morrendo.” O candidato do União Brasil prometeu reajuste salarial e melhores condições de trabalho para os policiais e definiu seu propósito: “A Bahia quer mudança. E é exatamente isso que quero oferecer, a começar pela segurança pública. Para devolver a paz e a tranquilidade para o cidadão de bem.” Ronaldo Mansur também anunciou reajuste e realização de concursos para a segurança, mas questionou a coerência do adversário: “ACM Neto critica hoje Jerônimo, mas não tem moral, porque o seu grupo político teve o mesmo tipo de postura.” O candidato do PSOL defendeu ainda a tecnologia como garantia de direitos: “A câmera na farda protege tanto os policiais quanto a população.”

Propostas contra o feminicídio

O enfrentamento à violência letal contra mulheres também entrou em pauta. ACM Neto apresentou o programa “Volta por Cima”, com previsão de auxílio financeiro por até 24 meses, qualificação e inserção profissional para mulheres em situação de vulnerabilidade: “Sabemos que o agressor está dentro de casa e ela não denuncia por medo de não ter o sustento. Vamos ser rigorosos para punir o agressor.” Jerônimo Rodrigues citou o “Ronda Maria da Penha” e lembrou que a Bahia foi o primeiro estado a criar uma Secretaria de Políticas para as Mulheres: “Trabalho para que cada município tenha um ponto de apoio. Que a nossa cultura possa banir qualquer risco de uma mulher ser morta por ser mulher.” Ronaldo Mansur defendeu delegacias de funcionamento ininterrupto e classificou o feminicídio como problema nacional: “É preciso ter delegacias que funcionem 24 horas. Vamos mudar isso.” Criticou ainda heranças políticas do passado e posicionamentos alinhados ao ex-presidente Bolsonaro: “Atos machistas, como defendeu Bolsonaro, e que reforçam essa violência, precisam ser combatidos.” Em tom de crítica, mencionou também a época do governo Carlismo, antepassado político de ACM Neto.

Alianças e a figura de Lula

A relação dos candidatos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também disputa a reeleição, foi outro ponto de tensão. Jerônimo e Mansur reforçaram aliança e apoio ao petista. Já ACM Neto, alvo de cobranças sobre suposto apoio à chapa ligada a Flávio Bolsonaro, esclareceu que sua referência nacional é Ronaldo Caiado, candidato do União Brasil. Mansur cobrou declarações antigas de ACM Neto, entre as quais uma em que teria dito querer “dar uma surra em Lula”, e Jerônimo questionou o que haveria contra o presidente. ACM Neto, porém, evitou confronto direto com Lula e reposicionou o foco: “Eu quero ter meu nome atrelado a soluções para a Bahia. Eu quero ter meu nome atrelado a um governo que vai enfrentar o problema da violência, da educação, do desemprego.”