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Pesquisa revela que 22% dos brasileiros já receberam proposta de compra de voto

  • 22.Mai.2026 // 09h56

  • Brasil

 Pesquisa revela que 22% dos brasileiros já receberam proposta de compra de voto

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Ipsos-Ipec, em parceria com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), revelou que 22% dos brasileiros afirmam já ter recebido alguma oferta para vender o voto em eleições. O levantamento integra a campanha “Voto não tem preço, tem consequências” e foi divulgado na última segunda-feira (11).O estudo também apontou que a maioria da população não sabe como denunciar esse tipo de crime eleitoral. Segundo os dados, 62% dos entrevistados disseram desconhecer os canais de denúncia, enquanto 52% afirmaram não se sentir seguros para denunciar.Além da oferta de dinheiro, considerada por grande parte da população como compra de votos, outras práticas também foram identificadas. 

Entre elas estão promessas de consultas médicas, facilitação de acesso a benefícios sociais, distribuição de cestas básicas, festas e churrascos.De acordo com a socióloga Adelia Franceschini, consultora da pesquisa, muitas pessoas ainda não reconhecem essas ações como crime eleitoral. “Cerca de 70% dos entrevistados enxergam essas práticas apenas como favores, sem perceber que também configuram compra de votos”, explicou.A pesquisa aponta ainda que candidatos a cargos municipais lideram os relatos de tentativas de coação eleitoral. Vereadores aparecem em 59% das situações citadas pelos entrevistados, seguidos por prefeitos, com 43%.Mesmo entre quem nunca recebeu uma proposta direta, 39% disseram acreditar que a compra de votos acontece com frequência nas cidades onde vivem. Outros 30% afirmaram que a prática ocorre “às vezes” ou “frequentemente”.O Nordeste foi a região com maior índice de pessoas que relataram já ter recebido ofertas em troca do voto, atingindo 32% dos entrevistados — acima da média nacional. Para o cofundador do MCCE, Chico Whitaker, cidades menores tendem a registrar mais casos devido à dependência de empregos públicos e à vulnerabilidade social da população.A compra de votos, chamada pela legislação de “captação ilícita de sufrágio”, pode ser denunciada por meio do aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, além de delegacias, promotorias e canais do Ministério Público. O crime pode resultar em até quatro anos de prisão.O levantamento ouviu 2 mil pessoas em 131 municípios brasileiros, entre os dias 4 e 8 de dezembro do ano passado. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.