Rádio 88 FM

Estados Unidos deporta criança com câncer e gera indignação

  • Por Redação do Jornal da 88

  • 30.Abr.2025 // 15h13

  • Mundo

Estados Unidos deporta criança com câncer e gera indignação
Foto/Reprodução: Google

Três crianças cidadãs dos Estados Unidos foram deportadas para Honduras com suas mães, imigrantes hondurenhas, nos últimos dias — um caso que provocou forte repercussão e levantou questionamentos sobre a conduta do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). As deportações ocorreram sem o devido processo legal, segundo advogados e organizações de direitos civis, reacendendo o debate sobre os limites da política migratória implementada durante o governo de Donald Trump. Entre as crianças está um menino de apenas 4 anos que enfrenta um tipo raro e grave de câncer. Segundo a advogada Gracie Willis, do Projeto Nacional de Imigração, a criança foi deportada com a mãe menos de 24 horas após serem detidos. Os advogados afirmam que havia cuidadores prontos para acolher o menino nos EUA, mas a mãe não teve escolha e foi obrigada a levá-lo consigo. As outras duas crianças têm 2 e 7 anos e também nasceram nos Estados Unidos, o que lhes garante cidadania americana.

Uma das deportações mais polêmicas envolveu a mãe da menina de 2 anos, que estava grávida e foi presa durante um check-in de rotina no ICE em Nova Orleans. A mulher estava acompanhada da filha e de uma adolescente de 11 anos, esta última nascida em Honduras. Mesmo com o pai da criança de 2 anos disposto a mantê-la no país, o ICE realizou a deportação antes que a situação fosse esclarecida judicialmente. O juiz federal Terry Doughty, da Louisiana, demonstrou preocupação com os procedimentos e chegou a escrever em despacho que há uma “forte suspeita de que o governo deportou uma cidadã americana sem qualquer processo significativo”. O magistrado tentou falar com a mulher durante o voo de deportação, mas foi informado que ela já havia sido “liberada em Honduras”. Organizações como a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) classificaram as ações como abusos de poder por parte do ICE. Segundo os representantes legais das famílias, o ICE não ofereceu alternativas e, em pelo menos um dos casos, reteve a criança por dias com a intenção de forçar o pai a se apresentar às autoridades. A guarda da menina foi repassada a uma cunhada do pai, que é cidadã americana. O caso segue em análise judicial e deve ter novos desdobramentos na audiência marcada para o dia 16 de maio, em que a legalidade das deportações será reavaliada. Enquanto isso, os episódios ampliam o debate sobre o tratamento de imigrantes nos EUA e os riscos enfrentados até mesmo por cidadãos americanos quando suas famílias estão em situação migratória irregular.