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Chineses em trabalho análogo a escravidão são resgatados em fábrica da BYD

  • Por Redação do Jornal da 88

  • 24.Dez.2024 // 14h58

  • Brasil

Chineses em trabalho análogo a escravidão são resgatados em fábrica da BYD
Foto/Reprodução: Google

Uma ação do Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT-BA) revelou uma grave situação envolvendo 163 trabalhadores chineses em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Eles estavam atuando na construção da fábrica da montadora Build Your Dreams (BYD) e foram encontrados vivendo em condições consideradas análogas à escravidão. As informações foram detalhadas em uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (23). Os trabalhadores, contratados por meio da construtora terceirizada Jinjang Construction Brazil Ltda, enfrentavam alojamentos precários e uma rotina desumana. Durante a inspeção conduzida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram identificadas diversas violações, como a ausência de colchões adequados, falta de armários e espaços sanitários insuficientes. Em um dos alojamentos, apenas um banheiro estava disponível para 31 pessoas, sem divisão por sexo e com condições de higiene alarmantes.

O cenário se agravava com áreas de alimentação improvisadas e perigosas, onde alimentos eram armazenados próximos a materiais de construção. Muitos trabalhadores tinham que realizar as refeições em camas ou em um pequeno refeitório que não comportava todos os funcionários. Diante da gravidade das irregularidades, a BYD anunciou a rescisão imediata do contrato com a construtora responsável. Em nota, a montadora destacou que repudia qualquer forma de violação às leis brasileiras e à dignidade humana. A empresa informou também que providenciou a transferência dos trabalhadores para hotéis na região. O resgate dos trabalhadores expôs uma rotina de sacrifício extremo, com jornadas que começavam às 4h da manhã, quando os empregados precisavam formar filas para utilizar os banheiros antes de saírem ao trabalho. A operação resultou no embargo dos alojamentos e na interdição das atividades terceirizadas, conforme informou o MTE. O caso serve de alerta para a necessidade de fiscalização rigorosa em contratos terceirizados, especialmente em grandes projetos industriais. A situação desses trabalhadores lança luz sobre práticas que ferem direitos básicos e reforça o compromisso das autoridades em combater condições degradantes de trabalho.