Rádio 88 FM

Fala do Jornalista Raimundo Marinho

  • Por Redação do Jornal da 88

  • 20.Out.2023 // 00h00

  • Geral

Fala do Jornalista Raimundo Marinho

Jornalista RAIMUNDO MARINHO
Adaptação da fala na Rádio 88 FM, dia 20.10.2023

As escolas públicas O ensino público, no Brasil, acabou faz tempo, pelo descaso dos governantes e falta de reação dos governados. Há uns 30 anos, uma professora, minha amiga, repetiu com certo orgulho e ar de esquisita vitória um bordão usado pela categoria, na época, que dizia: O Estado finge que nos paga e a gente finge que ensina! Isso para expressar indignação diante dos baixos salários! Depois, alguém acrescentou: E os alunos fingem que apreendem! E eu passei a dizer: e os pais fingem não ver nada disso! Pela Constituição Federal de 1988, o governo da União foi obrigado a fazer alguma coisa sustentável, que foram a criação dos fundos educacionais (Fundef/Fundeb/FNE) e a edição da Lei do Piso Salarial. Mas o zelo do constituinte foi boicotado pela corrupção nas gestões estaduais e municipais, desviando os recursos e sonegando o piso. 

E grande parte dos professores parece continuar fingindo que ensina, alunos fingindo que estudam e pais fingindo que não estão vendo! Não por acaso, o quadro ruim, diante do que é cínico medir a qualidade do ensino, como é feito através do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Às vezes, até se contradizem. Na verdade, revelam o desastre! O ranking-2022 do Enem, por exemplo, mostra que entre as 25 melhores escolas da Bahia, só uma é da rede pública (Colégio Militar de Salvador), segundo matéria do jornal Correios (Salvador), com dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Em Livramento, então, a situação é muito feia!

Com pé, e sem cabeça O Diário Oficial (eletrônico) de Livramento veiculou, ontem, o que seriam atos administrativos relativos ao Hospital Municipal Dr. Ulysses Celestino da Silva. Atos com algum pé, pois são assinados pelo diretor do hospital, mas sem cabeça, pois não dizem se é lei, decreto ou portaria. Criam um Núcleo de Segurança do Paciente, uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, uma Comissão de Revisão de Óbitos, Comissão de Revisão de Prontuários e o Regimento Interno do Núcleo de Vigilância Epidemiológica. São exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Fazem sentido, menos a “revisão de óbitos”, pois ainda não existe revisão para a morte. Tentaram imitar a estrutura de leis, decretos ou portarias, com artigos etc, mas não são assim identificados, como se faz necessário em atos administrativos da gestão pública. Teria de ser “decreto”, se pelo prefeito, ou “portaria”, se pelo titular da Saúde. O hospital não é um órgão autônomo, é uma unidade de saúde, subordinado, ao que se sabe, à Secretaria Municipal da Saúde. 

Para refletir Recolhi do site historias que minha avó contava o texto que adaptei para nossa reflexão de hoje. A historinha conta o sonho de um velho monge, que tinha muita curiosidade sobre a vida após a morte, principalmente a ideia de céu e inferno. No sonho, ele teria sido visitado por um anjo, que lhe perguntara justamente se ele gostaria de visitar os ditos céu e inferno. Cheio de curiosidade, ele, claro, falou que sim. O anjo o levou, primeiro, para o que seria o inferno, onde chamou sua atenção almas tristes, magras, aspecto doentio, que pareciam famintas! Mas havia uma mesa farta de comidas saborosas e cheirosas, que até ele, o monge, teve vontade de comer. 

Então ele pergunta ao anjo: Por que essas almas não comem? O anjo diz que elas têm os braços virados para trás, e não conseguem levar a comida à boca. O monge pensou no quanto aquilo era angustiante! Em seguida, o monge foi conhecer o céu. Ficou encantado, ao ver as almas alegres, sorridentes, coradas, de aspecto saudável. E notou que, ali, também havia uma mesa farta de comida. Mas observou que, também, os cotovelos das almas dobravam para frente, sem poder, igualmente, levar comida à boca! E o anjo explica: Mas aqui há uma diferença! Todos aqui colocam a comida um na boca do outro! Moral da historia: céu ou inferno nasce dentro de nós! Pensem nisso!