Rádio 88 FM

Fala do Jornalista Raimundo Marinho

  • Por Redação do Jornal da 88

  • 06.Out.2023 // 00h00

  • Geral

Fala do Jornalista Raimundo Marinho

Jornalista RAIMUNDO MARINHO
Adaptação da fala na Rádio 88 FM, 06.10.2023

Aniversário de emancipação Livramento completa hoje (6/10), 102 anos de emancipação política! Pertencia a Rio de Contas e foi desmembrado, para ser novo município! Houve várias etapas, no processo, desde o 1º núcleo populacional, depois dos índios (1715), criado pelos bandeirantes, que a aqui vieram em busca de outro! Em 2015, completamos 300 anos! Em 2021, foi o centenário da emancipação política. Saiba mais no site Mandacaru da Serra e no livro Livramento é de Nossa Senhora, de minha autoria, com o prof. Eduardo Lessa. O aniversário de 300 anos foi ignorado pelo então prefeito Paulo Azevedo! O dia dos 100 anos da emancipação política também não teve a devida atenção do prefeito Ricardo Ribeiro. 

Caberia grande comemoração, mesmo limitada pelas medidas sanitárias contra a Covid-19. Aliás, a situação já estava se arrefecendo! Agora, nos 102 anos, aniversário comum, Ricardo Ribeiro resolve promover uma big festa, com todos os absurdos possíveis, a começar pelo alto custo, em época de dificuldades financeiras dos municípios. Só Bel Marques levou R$450 mil! Enquanto isso, vendedores ambulantes, os barraqueiros, queixam-se de ser abusiva a taxa exigida deles, na festa. O maior absurdo de tudo, porém, é que nenhum órgão da Prefeitura responde pela festa! A missão foi delegada a um cidadão particular, que nem é servidor do município.

Trata-se do empresário Neydson Trindade Silva (Ney Eventos e Empreendimentos), nomeado pelo prefeito para representar o município em tudo referente à festa. Está no Dec. 196/2023 (DO-02.10.2023), que não cita qualquer lei ou ato autorizando o prefeito a dar essa procuração, tão ampla ao Sr. Ney Trindade, o qual teria sugerido a escorcha aos barraqueiros! Vem gente de vários municípios para cá. E todos são bem-vindos, mas poucos sabem do transtorno e perturbação, pela incúria administrativa, que o prolongado evento causa a moradores, em especial a idosos e doentes, ao longo da Av. Presidente Vargas, interditada por três noites seguidas, para o barulho infernal do trio elétrico. Parece desproporcional e desnecessário. 

No fundo, a meu ver, está a vaidade do prefeito, em final de mandato, pois ano que vem tem eleição, e ele pensou em marcar sua gestão com isso, e também de olho nos votos. Sabe que o povão gosta de festa, sem olhar motivações nem consequências! Nessa hora, ninguém se lembra da falta d’água nos bairros, de lâmpadas nos postes, de soro, medicamentos e lençol na UPA, da falta de água para tomar um remédio no hospital! Afinal, o que seria dos políticos sem o pão e circo? Foi o que descobriu Cezar, imperador de Roma, ao inaugurar o Coliseu, palco dos digladiadores e condenados dilacerados vivos pelos leões, para divertir uma plateia insana.

Por último:

 (A propósito do 6 de outubro)

 
Olho para tuas serras azuis
Quando sobre elas choram
As plúmbeas nuvens dos céus
Olho para elas fumacentas
Quando nelas faíscam
Os raios flamejantes do sol
Nunca perdem os encantos
Que enchem o meu espírito
Da calma doce de Deus
 
Olho tuas planícies e vazantes
Onde um dia menino eu vi
Volumosas e turbilhantes
As bravias águas do teu Rio
Contemplo as sobras do tempo
Dos coqueirais transformados
Das mangueiras centenárias
Dos casarões desfigurados
Dos regos fartos e caudais
Dos verdejantes arrozais
 
Dos idos da minha infância
Das matas, roças e quintais
Há muito em minhas lembranças
Que o tempo nunca desfaz
Como o lindo véu de noiva
Que da Serra das Almas cai
Como a imponência da matriz
Transformada em catedral
 
Por onde andei, perguntavam
Sobre o lugar em que nasci
Orgulhoso eu respondia
Naqueles tempos tão saudosos
Tem arroz, manga e cachoeira
Têm a Praça da Bandeira
Onde me sentava para escutar
A voz do alto-falante e do sino
a repicar
Tem tudo mais que Deus não deu
A nenhum outro lugar
As roças de milho e feijão
E a beleza dos canaviais
Há terra vermelha no chão
Os espinhos do “quiabo bento”
E a flor do maracujá
 
Insistiam então em saber
Porque viestes para cá
Com tantas coisas a desfrutar
Respondia que na verdade
Meu coração e minha alma
Tinham permanecido lá
Assim como o meu umbigo
Pela crendice da minha mãe
Enterrado havia de ter sido
Na porteira de algum curral
 
Fazendeiro nunca pude ser
Mas talvez seja por isso
Que não importa onde esteja
Eu sempre sonho em voltar
Aos encantos sertanejos
Dessa terra benfazeja
Onde Deus me fez nascer
(Raimundo Marinho)