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Farra em Abaíra: secretários e até filho de vereadora recebem auxílio emergencial

  • Por Correio

  • 15.Jul.2020 // 00h00

  • Geral

Farra em Abaíra: secretários e até filho de vereadora recebem auxílio emergencial

Secretários municipais, servidores, empresários e parentes de políticos estão numa lista de 14 pessoas que receberam indevidamente o auxílio emergencial em Abaíra. A cidade de quase nove mil habitantes, localizada na Chapada Diamantina, tinha virado referência no cuidado dos idosos na pandemia.  Dessa vez, Abaíra virou símbolo de fraudes do auxílio emergencial. Só no quadro de secretários municipais, dois receberam o benefício: Maciel Miranda e Silva (Obras e Infraestrutura) e Carlos Eduardo Jardim Moreira (Agricultura). Representante da pasta de Esporte, Jiuvan Novais de Almeida também foi beneficiado. 

Outros servidores  foram encontrados na lista do Portal da Transparência do Governo Federal: Simone Carla Oliveira e Silva Freitas, Florindo Padro Azevedo Filho e Elito Ferreira da Silva. Esse último é pai da vereadora Vanessa Barbosa Silva Moreira (DEM), cujo filho, João Lucas Silva Moreira também foi beneficiado. Vanessa é casada com o vice-prefeito da cidade, Hermínio Moreira (DEM), conhecido como Mindim. O irmão dele, Heriton Moreira, também recebeu o auxílio. Flavia Novaes Barros, esposa do secretário de  saúde Alex Sandro Silva Miranda, também recebeu indevidamente os R$ 600. Todas essas informações foram conseguidas pela vereadora Ana Lúcia (PSB), que fez uma representação nos ministérios públicos Federal e Estadual: “Quero que algo seja feito urgentemente, pois tem gente na cidade que precisa do benefício e não recebeu”.

O site CORREIO confirmou a presença dessas pessoas na lista de beneficiados e ainda constatou que cinco empresários receberam o auxílio: Jacinto José de Souza Neto, do ramo de móveis; Vanilson Marques de Carvalho, de autopeças; José Fabio Viera Santos,  de aço; e um casal dono de um supermercado, que pediu para não ser identificado. “Minha esposa é microempreendedora individual e eu sou representante comercial de uma empresa de Goiás e fui demitido. Só caiu a primeira parcela, que destinei para meu pai, pois o auxílio doença dele foi cortado”, disse. 

Justificativa

O casal argumentou que não fez a solicitação. A mesma justificativa foi utilizada por todos os empresários citados. Vanilson Marques disse que vai devolver: “Utilizei o dinheiro para comprar cestas básicas e remédio para o povo”, disse. Já Jacinto Neto afirmou que doou o dinheiro por não saber como devolvê-lo: “Não estava necessitado”.  O único que disse que precisava do dinheiro recebido foi José Fabio Viera Santos: “Achei estranho quando vi, mas estava precisando, sim”.  

O secretário de saúde Alex Sandro admitiu que a esposa solicitou. Ele explicou que a única renda do casal é o seu salário de R$ 1.250. O valor é abaixo do teto de R$ 3.135 mensal estabelecido pelo Governo Federal por família. Por isso, ela achou que se enquadraria. No entanto, a assessoria da Caixa Econômica Federal explicou que para receber o auxílio era necessário ter renda mensal por pessoa abaixo de R$ 522,50. Outro que admitiu ter solicitado foi Heriton Moreira, irmão do vice-prefeito. Ele é apontado pela vereadora Ana Lucia  como dono de supermercados. Heriton nega: “Já fui empresário, não sou mais”. 

A vereadora Vanessa Moreira disse que pai Elito e o filho João Lucas não solicitaram o benefício e que os valores foram imediatamente devolvidos. As mesmas justificativas foram dadas por Carlos Eduardo, secretário municipal de Agricultura, e Maciel Miranda, secretário municipal de Obras e Infraestrutura. Esse último acredita que o benefício entrou automaticamente na sua conta por ele ser MEI. “Pretendo devolver. Contrariado, pois pago imposto todo mês (como MEI)”, disse. 

Já a funcionária pública Simone Carla Oliveira afirmou que sabia que tinha recebido o benefício, mesmo sem solicitar, mas que pensava que o dinheiro era devolvido automaticamente. “Estou agora tentando acessar o aplicativo para ver como tá o saldo e fazer a devolução”, explicou. O funcionário público Jiuvan Novais de Almeida não quis se pronunciar sobre o assunto e Florindo Padro disse que havia algum engano, pois “não saquei dinheiro nenhum de auxílio”, afirmou.