A morte do jovem conhecido como Vaqueirinho, identificado como Gerson de Melo Machado, atacado por uma leoa após invadir um zoológico na Paraíba, ganhou repercussão nacional e reacendeu um debate urgente: o quanto o país ainda falha em proteger pessoas em sofrimento mental, especialmente aquelas que crescem em situações de extrema vulnerabilidade social. O caso, além de trágico, revela uma sucessão de lacunas emocionais, familiares e institucionais que acompanham milhares de brasileiros invisíveis aos sistemas de proteção. Gerson tinha apenas 19 anos. Não conheceu o pai, era criado entre a mãe e a avó, ambas diagnosticadas com esquizofrenia, e cresceu em um ambiente marcado por carências profundas, instabilidade emocional e falta de suporte adequado. Testemunhas relataram que o jovem frequentemente desabafava sobre a ausência de oportunidades, sobre necessidades básicas não atendidas e sobre o sentimento constante de abandono. Seu apelido, sua alegria aparente e suas aparições nas redes sociais não eram capazes de esconder a fragilidade de uma vida marcada pela ausência de referência familiar, orientação e acompanhamento psicológico.