A 88 FM ouviu a psicóloga Aida Cardoso que explicou sobre o luto pela perda de um ente querido


A 88 FM ouviu a psicóloga Aida Cardoso que explicou sobre o luto pela perda de um ente querido

Por: Redação Rádio 88 Fm

Desde os tempos de escola, se aprende que o ser humano nasce, cresce, se reproduz e morre. A morte é, portanto, o fim do ciclo. No caso do ocidente, essa fase é tão importante que se dedica um rito (conjunto de cerimônias), velório, missa de sétimo dia, entre outras celebrações ao morto, além de um feriado (de finados) dedicado aos que se foram. Contudo, a morte ainda é um dos maiores mistérios e a maior dúvida que um ser humano enfrenta. Mas para as pessoas que ficam, resta a dor inevitável da perda e o consequente luto. Por isso, a Rádio 88 FM ouviu a psicóloga Aida Cardoso que concedeu uma entrevista para o Jornal da 88 apresentado por Emanuel Fernandes.

Para a psicóloga, o difícil da perda de um ente querido está relacionado diretamente ao vínculo que é criado em vida. “Quando ente vai embora, a pessoa perde o “objeto” e mantém o vínculo afetivo e representação que não se encerra com a morte. Na verdade, a pessoa busca a todo custo por aquele ente que não existe mais. Por isso, esse afeto pode ser direcionado e preenchido por outra pessoa que seja tão importante como aquela pessoa que partiu ou por outro “objeto” – com a elaboração do luto e aceitação da perda, descreveu Aida.

Aida explicou ainda sobre as fases do luto. De acordo com a profissional, o período de desolação se dá em fases diferentes. Cada uma dessas fases é marcada por um comportamento específico. “A partir do 15° dia, o psicólogo pode avaliar se o luto entrou no estágio de depressão. É importante passar pelo processo de luto: ficar quieto, chorar intensamente, tudo isso faz parte do processo, enfim, esses estados são muito parecidos com uma depressão. Entretanto, não deve haver sintomas psicóticos, como por exemplo, delírios, desorganização do comportamento, agressividade, ideação suicida, explicou Aida.

Ainda complementou sua explicação, descrevendo as fases do luto, que de acordo com a psicóloga, são cinco. “A pessoa nega que a pessoa morreu. A segunda fase é a fase de raiva, um sentimento de abandono, pois se procura pelo ente querido mesmo sabendo que ele não volta. Já a terceira fase, é fase de barganha, ou seja, é uma fase que a pessoa faz uma reflexão e negociação consigo mesmo. A pessoa se pergunta o motivo pelo qual a pessoa morreu no intuito de reverter a situação. A fase da depressão vem em seguida. Está relacionada com a tristeza, o desânimo, a gente pensa como é que será agora já que o nosso ente não está mais presente. A última fase é a de aceitação. Consiste no momento em que se elabora e é aceitado a despedida do ente de fato. Porém, não significa que passamos por todas essas fases e necessariamente nessa ordem”, esclareceu.

Para finalizar, a psicóloga admite que mesmo diante de estudos, orientações e métodos, o ser humano se comove muito com a morte, apesar desta ser um processo natural. Para Aida, a solidariedade conta muito nessas horas. “Dar um abraço, tentar um consolo, se fazer presente, tentar dividir a dor é fundamental num momento tão difícil”, concluiu.